ILUSTRADA 50 ANOS: 2001 - Naomi Klein participa do Fórum Social Mundial, no Brasil
"'No Logo' inspira novos rebeldes antiglobalização", assinado por Alcino Leite Neto, foi publicado originalmente quinta-feira, 25 de janeiro de 2001.
O Fórum Social Mundial, que começa hoje em Porto Alegre, não é um encontro de personalidades, mas de idéias, de projetos e de utopias, sem as quais não se pode viver nem mudar a vida. Há no entanto uma penca pequena de gente célebre desembarcando na capital, como os escritores José Saramago e Tariq Ali.
Na condição de famosos, eles formam minoria. Na de rebeldes, misturam-se à enorme variedade de militantes antiglobalização que pipocaram nos últimos anos e se encontrarão para debater o que parece impossível: um projeto comum contra as injustiças do capitalismo avançado.
Na surdina, mais como ativista do que como celebridade, chega também ao Brasil a jornalista canadense Naomi Klein.
Aos 30 anos, ela está se tornando uma das principais mentoras da nova política entre os militantes que protestaram em Seattle, Washington e Praga.
"No Logo" é o livro de Klein que está por trás de tudo o que pensa a juventude politicamente ativa do Primeiro Mundo. A tradução literal do título é "Sem Logo (marca)". Uma versão indisciplinada diria: "Não às Marcas".
Foi escrito antes das manifestações de Seattle (EUA), em 1999, e publicado no ano passado nos EUA e no Reino Unido. Na imprensa, foi chamado de "'O Capital' da geração Seattle".
Na entrevista a seguir, feita por telefone de Toronto (Canadá), onde vive, Klein fala de adolescentes, da Nike, da seleção brasileira e da nova ação política.
Folha - Você vê significado em o Brasil ser o lugar do encontro formal de ativistas antiglobalização?
Naomi Klein - Eu vejo. Acho extremamente significativo que esse encontro histórico ocorra em um país em desenvolvimento. Porque uma das críticas da direita a esse movimento, desde Seattle, tem sido dizer: "Vocês, da América do Norte, formados em universidades, não sabem o que querem os pobres do mundo". E a verdade é que a liderança genuína do movimento tem vindo globalmente dos países do Sul, todo o tempo.

