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24/11/2008 - 11h00

Hollywood faz advertências ante ameaça de greve de atores

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da France Presse, em Los Angeles

A aliança de estúdios de Hollywood (AMPTP) advertiu para conseqüências devastadoras se os atores entrarem em greve em um momento de crise econômica, além de ter informado que não vai alterar a oferta sobre direitos por novas mídias que bloqueou o diálogo com o maior sindicato de atores.

O SAG (Screen Actors Guild), que reúne 120 mil atores, "deve entender que uma greve seria economicamente devastadora para toda a indústria, incluindo seus próprios membros, assim como para a economia em geral", afirma uma carta divulgada no domingo (23) pela AMPTP a 300 produtores afiliados.

"Uma greve do SAG neste colapso financeiro seria como jogar gasolina sobre um incêndio, e é espantoso que o SAG possa convocar uma votação de greve quando o resto do país está enfrentando uma crise financeira sem precedentes", insiste a longa carta da AMPTP.

O SAG anunciou sábado que pedirá a seus membros que autorizem uma greve, depois do fracasso das negociações com um mediador federal sobre um novo contrato coletivo com os estúdios. O fato provocou temores de uma paralisação como a dos roteiristas no ano passado, que causou prejuízos superiores a mais de dois bilhões de dólares.

Apesar de o sindicato de atores não ter revelado os detalhes que levaram ao fracasso das negociações, a AMPTP ressaltou que não cederá no que diz respeito aos direitos por filmes e séries divulgados em novas mídias, como internet e celulares.

"Os estúdios continuarão comunicando energicamente sua posição fundamental: os outros seis convênios coletivos que os produtores (a AMPTP) assinaram este ano incluem ganhos econômicos significativos com novos direitos em novas mídias", afirma a nota, em uma referência aos acordos trabalhistas concluídos com roteiristas e diretores, entre outras categorias.

"A questão sobre novas mídias simplesmente não será abandonada neste momento porque sufocam nossa capacidade como indústria para competir neste novo mercado".

"A conclusão é clara: nenhuma autorização de greve pode mudar estes fatos básicos", sentencia a aliança dos estúdios de cinema e televisão de Hollywood em um comunicado no qual insistem no péssimo momento econômico que os Estados Unidos atravessam para convocar uma paralisação.

As divergências entre o SAG e a AMPTP são cada vez mais radicais, como aconteceu com os roteiristas, na difusão de filmes, séries e programas de televisão na Internet e os direitos por vendas de DVDs.

Esta nova crise acontece no mesmo mês em que no ano passado os roteiristas de Hollywood iniciaram uma greve de cem dias, com o saldo de mais de dois bilhões de dólares de prejuízo e o cancelamento da cerimônia do Globo de Ouro.

"Com a autorização prévia do Conselho Nacional de Diretores (do SAG), vamos lançar agora uma campanha de educação em grande escala para obter o apoio para uma autorização de greve", informou o sindicato dos atores no sábado (22).

A votação para uma eventual greve pode demorar mais de um mês e para ser aprovada precisa de mais de 75% de apoio, mas o SAG ainda não fixou datas para a consulta interna.

A consulta coincide com a proximidade do anúncio das indicações aos dois principais prêmios da indústria, Globo de Ouro e Oscar, que são celebrados em janeiro e fevereiro, respectivamente, que no ano passado também aconteceram sob a sombra da greve de roteiristas.

 

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