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25/11/2008 - 09h21

Bienal recebe deboche do Los Super Elegantes

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SILAS MARTÍ
da Folha de S.Paulo

Ela devora uma goiaba, anda pelo quarto e elogia a nova sunga do amigo Martiniano Lopez-Crozet, parceiro dela na dupla Los Super Elegantes. Milena Muzquiz, antes de receber a reportagem num hotel em São Paulo, confessou que escrevera um lembrete para o compromisso no espelho do banheiro, porque a gravidez de quatro meses prejudica sua memória.

Eduardo Anizelli/Folha Imagem
A mexicana Milena Muzquiz e o argentino Martiniano Lopez-Crozet, do Los Super Elegantes
Milena Muzquiz e Martiniano Lopez-Crozet; dupla forma o Los Super Elegantes

E não, eles não são um casal, nem é dele o filho. Lopez-Crozet é gay assumido; lembra até que um missionário loiro e esbelto o fez perder o sono no vôo de Los Angeles para cá.

Sem romance, e juntos há 13 anos na dupla que faz performances hoje e quinta na Bienal de São Paulo, formam um duo debochado e explosivo, emblemas do que se convencionou chamar estética terceiro-mundista na arte contemporânea.

Ela é mexicana --garota de Tijuana acostumada a cruzar a fronteira ao norte rumo a San Diego três vezes por semana--, ele, argentino. Agora radicados nos Estados Unidos, fazem um esforço colorido para misturar Primeiro e Terceiro mundos.

E vão além. Misturam também artes plásticas e música.

Foi como banda de pop latino que surgiu Los Super Elegantes, abrindo para o American Music Club, de Mark Eitzel, em San Francisco.

"Ele era meu ídolo e, para chegar perto dele, disse que tinha uma banda. Antes de subir ao palco, inventamos esse nome, Los Super Elegantes", conta Lopez-Crozet.

Ivo e Gisele

Da mesma forma dispersa que vão elencando assuntos na conversa, de Sartre e Fassbinder a lojas da grife H&M, construíram o roteiro até agora mantido sob segredo para a peça teatral que mostram nesta Bienal. É uma paródia que desfila, de salto alto, do existencialismo às mazelas do mundo fashion e das artes plásticas.

Na trama, Lopez-Crozet é Ivo Mesquita, o curador desta edição da Bienal. Muzquiz encarna Gisele Bündchen. São amigos "fartos da realidade", que buscam se isolar no próprio vazio existencial. "Estamos usando o conceito de vazio desta Bienal para fazer um site-specific, uma escultura de idéias", descreve Muzquiz.

Como não ficaram prontas as Havaianas gigantescas que pensaram como cenário, o encontro de Ivo e Gisele acontece num restaurante com paredes de acrílico coloridas. Tudo vai bem, até que ela tropeça e despenca do alto de seus saltos, e os dois acabam morrendo, ou algo parecido. Mas isso não importa, porque aí vem um número musical funk com danças exóticas e tribais. "A narrativa não é o mais importante."

"A gente ama o absurdo das situações", diz Lopez-Crozet. "É como se uma criança fizesse uma colagem sobre o Brasil, com coisas como Havaianas, Gisele", emenda Muzquiz.

Eles confessam que não tinham idéia do que fazer até junho, quando foram confirmados para a mostra. "Aí comecei a ler as notícias sobre o vazio, o caos da Bienal, e tudo me pareceu genial", diz Lopez-Crozet. "Sempre acabamos metidos nas situações mais insólitas."

Tanto que, adiantam, são fictícias as versões performáticas de Ivo e Gisele. "Não pesquisamos a biografia deles, podia ser qualquer um, até Elizabeth Taylor no lugar da Gisele", afirma Muzquiz. É uma ressalva, no entanto, dispensável: sua versão de Bündchen, longe das origens gaúchas, vem da Amazônia e tinha algum tipo de relação com ex-escravos.

Nenhum dos dois quis revelar como termina a história de Ivo e Gisele, mas Muzquiz dá uma pista, lembrando "Um Convidado Bem Trapalhão", comédia de Blake Edwards: "De repente, sem saber como terminar o filme, ele faz um elefante roxo entrar na sala, as paredes despencam, é o caos".

28ª BIENAL DE SÃO PAULO
Quando: hoje e qui., às 20h
Onde: pavilhão da Bienal (pq. Ibirapuera, portão 3, tel.: 0/ xx/11/5576-7600)
Quanto: entrada franca
Classificação: livre

 

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