Votação de projeto no Senado vira alvo de tietagem no Congresso
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Por cerca de uma hora a votação do projeto que fixa cota de 40% para a venda de meia-entrada em todo país virou o centro das atenções no Congresso Nacional nesta terça-feira.
Veja opinião de estudantes e empresários sobre a cota
| Lula Marques/Folha Imagem |
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| Artistas reunidos no Congresso Nacional durante debate sobre cotas para meia-entrada |
Senadores e deputados dos mais diversos partidos que nem acompanhavam o assunto, artistas famosos e fãs se aglomeraram na sala da Comissão de Educação e Cultura do Senado. A proposta foi aprovada, por 14 votos a 7, tendo como fotografia principal os artistas de mãos dadas.
Porém, antes os atores fizeram a defesa categórica da proposta. As atrizes Christiane Torloni e Gabriela Duarte se ajoelharam no chão ao lado do senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Em 80 anos, nunca vi isso na minha vida: artistas e estudantes em lados opostos", afirmou o peemedebista. "Não sei o que fazer", disse ele.
"Não somos contra a meia-entrada. O que defendemos é que tenha uma cota para a cobrança porque isso vai viabilizar a redução dos preços dos ingressos para todos", afirmou o ator Wagner Moura. "Se continuar como está, a tendência é de caos", disse o ator.
A presença de Moura, que é chamado de "Capitão Nascimento" por causa do filme 'Tropa de Elite', levou várias fãs à comissão. Com máquinas fotográficas digital, jovens e mulheres de meia idade se acotovelaram para garantir uma imagem do ator.
A atriz Gabriela Duarte lembrou que atualmente cerca de 80% dos ingressos são vendidos como meia-entrada no país. De acordo com ela, o raro é alguém pagar a entrada inteira.
"Eu quando digo que pago meia-entrada, as pessoas se surpreendem porque ninguém mais no país paga, aí o que acontece? Os preços ficam exorbitantes e irreais como ocorre", disse Gabriela Duarte.
Cotas
Pela proposta aprovada, será fixada a cota de 40% para a venda de meia-entrada em todo país. A medida vai valer para espetáculos, salas de cinema e também eventos esportivos, incluindo museus e circos.
O texto tem de ser submetido a discussões na Câmara e, se alterado, retornará ao Senado. O controle das cotas deverá ser feito por um conselho, comando pelo governo federal, que vai definir ainda sobre a possível venda antecipada dos ingressos.
Os artistas apelam ainda para que a União, os Estados e os municípios arquem com um percentual como contrapartida para viabilizar a execução dos projetos culturais no país. Este item não está na proposta em discussão.
A presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Lúcia Stumpf, disse que o ideal era fiscalizar a emissão das carteiras de estudantes e não fixar cotas. "As cotas hoje vão garantir o fim da meia-entrada", disse ela.
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