"Não precisei ler o Paulo Coelho", diz Saramago em SP
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
Único prêmio Nobel de Literatura da língua portuguesa, José Saramago, 86, disse que não precisou ler a obra de Paulo Coelho para ficar mais sereno. A afirmação foi nesta terça-feira em São Paulo.
"Não precisei ler o Paulo Coelho. Uma boa doença vale por toda obra do Paulo Coelho", disse em tom de brincadeira.
Saramago recebeu o Nobel há dez anos, em 1998, pelo conjunto de sua obra, como de praxe. A instituição que concede o prêmio não o dedica a uma obra em particular. O escritor assina livros como "Memorial do Convento", "Ensaio sobre a Cegueira" e "Todos os Nomes".
| Dayanne Mikevis /Folha Online |
![]() |
| José Saramago ironizou aqueles que buscam serenidade pela obra de Paulo Coelho em SP |
A serenidade veio após o período em que ficou muito doente e que o obrigou a interromper o livro que veio lançar no Brasil, "A Viagem do Elefante".
Totalmente recuperado, Saramago está em São Paulo também para promover a exposição "A Consistência dos Sonhos", que também tem uma versão em livro, uma cronobiografia assinada por Fernando Gómez Aguilera. O livro na verdade é um apanhado cronológico da vida do escritor. Os acontecimentos estão estritamente na ordem em que aconteceram, de seu nascimento até a atualidade.
Saramago ainda participa de sabatina da Folha na próxima sexta-feira (28), no teatro Folha (av. Higienópolis, 618, 2º piso, São Paulo). As inscrições para o evento estão encerradas.
Sobre o novo livro, Saramago afirmou que o inusitado é que a dosagem de humor que colocou na obra. Ele também afirmou que fez uma certa "garimpagem" espontânea de vocabulário ao usar espontaneamente palavras de sua adolescência e infância.
"Usei palavras que tinham ficado enterradas no passado, somos compostos de sedimentos lingüísticos", afirmou o escritor português.
"A Viagem do Elefante" tem lançamento pela Companhia das Letras e custa R$ 42. A exposição será inaugurada na próxima sexta-feira no Instituto Tomie Ohtake (av. Faria Lima, 201, Pinheiros, tel. 0/xx/11/2245-1900), em São Paulo, e permanece até 15 de fevereiro de 2009.
Leia mais
- Saramago reaprendeu a escrever mãe várias vezes
- "Eles nos fazem de bobos", diz Saramago sobre crise
- José Saramago ganha o Prêmio Nobel
- Saramago não foi à universidade
- Saramago classifica de revolução chegada de Obama à política
- José Saramago usa elefante contra "inimigos"
- "Marx nunca teve tanta razão", afirma José Saramago
Livraria
- Livro explica obra de 60 AUTORES da literatura brasileira atual
- Almanaque celebra 50 anos da ILUSTRADA em registro pop e "cinematográfico"
Especial


