Saramago reaprendeu a escrever mãe várias vezes
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
Defensor do novo acordo ortográfico dos países de língua portuguesa, o escritor José Saramago, 86, minimizou a polêmica e disse que a verdadeira questão está na língua falada.
Ele exemplificou a questão com uma anedota, dizendo que, nesta viagem ao Brasil, não conseguia compreender o nome de uma jovem que lhe pediu um autógrafo. Era Thaís. "Não era a minha Thaís, ela me disse algo que a mim não era Thaís", afirmou Saramago.
"A língua enriquece com a diversidade. Tem que haver um exercício de tolerância", completou o escritor português.
| Dayanne Mikevis/Folha Online |
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| José Saramago afirmou que reaprendeu a escrever a palavra mãe diversas vezes |
Sobre a atual reforma ortográfica, Saramago também usou um exemplo pessoal e disse que "reaprendeu" a escrever a palavra mãe diversas vezes, com e e com i no final. "Não tem importância, a mãe era mesma", disse, bem-humorado, o escritor.
"Enfim, bem dentro deste fato, o que se confunde muito com aquilo que também se chama fato, que aqui se chama terno --o que é um absurdo, pois se não tem um colete, como é que pode se chamar terno. Era terno porque eram três", afirmou Saramago.
Compondo o grande núcleo dos lusófonos no mundo, o escritor disse que, em sua opinião, há pouca literatura do Brasil em Portugal. "Precisamos equilibrar esta balança", afirmou o escritor.
No entanto, Saramago se mostrou um otimista --bem ele que afirmou que "o mundo é péssimo"-- sobre o cenário da literatura atual. "Estamos a viver uma época bastante boa", afirmou ele sobre os jovens escritores portugueses, que afirmou ler e preferiu não citar nomes.
Saramago participa de sabatina da Folha na próxima sexta-feira (28), no teatro Folha (av. Higienópolis, 618, 2º piso, São Paulo). As inscrições para o evento estão encerradas.


