"Fazer arte é uma mentira", diz Bob Wilson
SARA UHELSKI
da Folha Online
PAULA CARVALHO
colaboração para a Folha Online
Bob Wilson afirmou durante a sabatina realizada pela Folha nesta terça-feira que seu trabalho é contra o realismo, uma vez que "fazer arte é algo artificial. Estar num palco não é natural. É uma mentira".
O fotógrafo é entrevistado por Marcos Augusto Gonçalves, editor da Ilustrada, Nelson de Sá, colunista da Folha, Marcos Flamínio Peres, editor do caderno Mais! e Fábio Cypriano, crítico de arte da Folha. O evento integra as comemorações dos 50 anos da Ilustrada e acontece no auditório do Masp.
O dramaturgo explicou que o espaço do palco e o da platéia são diferentes e, por isso, considera mais "honesto" o ator se movimentar de forma artificial no teatro.
A seu ver, procurar agir de forma "natural" em um espaço cênico é uma "mentira". "O teatro que vejo é baseado em uma mentira", declarou.
Para ele, o artista só será completamente "livre" no palco, quando seus movimentos se tornam mecânicos. "Quanto mais você repete o trabalho, mais livre se é. Como andar de bicicleta. Quando se aprende, você faz sem pensar".
Linguagem corporal
Para Wilson, a máxima que diz que "uma imagem vale mais que mil palavras" é também o lema de seu trabalho.
Ele também disse que a linguagem corporal é um aspecto de grande valia não só no teatro, mas também na televisão.
"Minhas primeiras peças eram mudas, depois comecei a trabalhar com textos sem sentido que utilizavam construções matemáticas com palavras sem conteúdo."
Para Wilson, assistir à televisão sem som faz com que se compreenda melhor o que se está assistindo pois, dessa forma, "é possível perceber detalhes sobre a aparência dos personagens e do cenário, além de analisar a linguagem corporal".


