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Ilustrada
28/11/2008 - 16h20

Fernando Meirelles teve de agüentar mau humor, diz Saramago

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DAYANNE MIKEVIS
PAULA CARVALHO
da Folha Online

O cineasta Fernando Meirelles teve de ser paciente e agüentar o mau humor do escritor José Saramago, 86, para convencê-lo sobre a adaptação de "Ensaio sobre a Cegueira" para o cinema.

O escritor participa, nesta sexta-feira, de uma sabatina promovida pela Folha. O evento é parte da comemoração dos 50 anos do caderno Ilustrada.

Saramago, detentor do único prêmio Nobel concedido a um autor de língua portuguesa, é sabatinado por Sylvia Colombo, repórter da Ilustrada; Vaguinaldo Marinheiro, secretário de Redação da Folha; Manuel da Costa Pinto, colunista da Ilustrada; e Luis Costa Lima, colunista do Mais!.

O Nobel de Literatura contou que a idéia para escrever "Ensaio sobre a Cegueira" surgiu quando comia em um restaurante. Ao comer o seu prato preferido, ele se perguntou "E se todos nós estivéssemos cegos?", no que ele mesmo respondeu: "Mas nós estamos todos cegos".

"A cegueira, como é chamada no livro, é uma cegueira histórica. A história da humanidade é um desastre contínuo, sem um momento de paz", explicou.

Para Saramago, a razão cegou a humanidade, que não usa o instinto como os animais. "Somos cegos pela razão porque a usamos para destruir a vida em todos os planos, não para expandi-la".

Questionado se ele ainda tinha esperança que a humanidade aprendesse "essa lição", Saramago declarou que não precisa ter esperança, uma vez que é apenas um "notário, alguém que registra os fatos, alguém que vive o presente".

Ainda hoje, Saramago inaugura uma exposição inspirada nele, "A Consistência dos Sonhos", no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo às 20h.

 

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