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Ilustrada
04/12/2008 - 18h00

Leia íntegra do bate-papo com Marcos Augusto Gonçalves sobre os 50 anos da Ilustrada

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da Folha Online

O jornalista Marcos Augusto Gonçalves, editor da Ilustrada, da Folha de S.Paulo, participou de bate-papo nesta quinta-feira (4) sobre os 50 anos do caderno.

Participaram do bate-papo 104 pessoas.

O texto abaixo reproduz exatamente a maneira como os participantes digitaram suas perguntas e respostas.

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Bem-vindo ao Bate-papo com Convidados do UOL. Converse agora com o jornalista e editor da "Ilustrada", da Folha, sobre os 50 anos do caderno. Para enviar sua pergunta, selecione o nome do convidado no menu de participantes. É o primeiro da lista.

(04:59:49) Mag: Olá para todos, estou aqui às ordens para tentar responder

(05:01:10) carola fala para Mag: olá, boa tarde. gostaria de saber qual o momento mais marcante nesses 50 anos da ilustrada

(05:02:26) Mag: É difícil apontar um momento. São vários. O mais tenso foi a coluna que o Lourenço Diaféria publicou em 1977 que gerou reações da ditadura e uma ameaça de fechamento da Folha por parte dos militares...

(05:03:07) cocote fala para Mag: como foi feita seleção das principais matérias para entrar nesse especial dos 50 anos da Ilustrada?

(05:04:53) Mag: Eu segui vários critérios, por década e por relevância dos autores, por exemplo. Mas a quantidade como você pode imaginar era enorme e foi um sofrimento decidir o que entrava e o que saía.

(05:05:01) Tiago fala para Mag: oi eu gostaria de saber na dacadá de 80, qual foi a notícia que mais te marcou?

(05:06:34) Mag: Eu acho que a proibição do filme Je Vous Salue Marie pelo governo Sarney foi marcante, assim como o primeiro Rock in Rio, que revelou ou trouxe à tona uma série de bandas brasucas de qualidade. Mas deve ter tido outras

(05:06:39) marcia fala para Mag: como será esse ciclo de debates da ilustrada? quem pode participar?

(05:07:45) Mag: Olha, o ciclo, que eu saiba está esgotado. As instruções para participar foram publicadas no caderno. Não tenho aqui e agora as instruções na mão, mas posso te passar depois

(05:07:52) Tiago fala para Mag: Qual o processo que se dá para fazer o caderno Ilustrada?

(05:09:28) Mag: A Ilustrada é um caderno que dá uma trabalheira, como todo jornal. Mas no nosso caso o fechamento é mais cedo e enfrentamos uma série de problemas de horário. A vantagem é que trabalhamos com uma agenda mais "fria" e previsível. É isso que você quer saber?

(05:10:19) maricota fala para Mag: além das sabatinas com o saramago e o bob wilson, haverá outras?

(05:11:28) Mag: Sim, teremos debates nos dias 8, 9 e 10, com nomes como Caetano Veloso, José Padilha, Ruy Castro... Esses debates, segundo soube, já estão com lotação esgotada, mas haverá transmissão, creio, da Folha Online

(05:12:23) amarelo fala para Mag: qual o nivel de preocupação que a ilustrada tem hoje em se "modernizar", ficar mais próxima do público jovem? há a tentativa de mesclar a "grande arte" com a cultura pop ou não existe esse tipo de preocupação?

(05:15:25) Mag: Olha, essa tem sido uma das grandes preocupações da Ilustrada, ou seja, o "mix" de assuntos e da cultura alta com a média. É cada vez mais difícil dosar essas esferas, num mundo em que as demandas se multiplicam, os assuntios são variadíssimos e há uma série de outros veículos, como TV a cabo, celular, internet etc atuando. Eu diria que a Ilustrada deve procurar responder aos mais jovesn, ser pop, mas não perder a relevância cultural, não descurar da área intelectual. Mas entre dizer e fazer vai uma distância...

(05:15:34) Tiago fala para Mag: Hoje éem dia está mais fácil acompanhar teatro, televisão, música do antes, qual o motivo?

(05:16:13) Mag: Mais fácil em que sentido?

(05:16:28) mario fala para Mag: vc trabalhou na ilustrada na década de 80, quando ainda viviamos o período da ditadura, saiu, foi trabalhar com esportes e agora voltou ao caderno. quais as mudanças mais drásticas que sentiu? mudou muito a forma de cobrir cultura no brasil nesses últimos 20 anos?

(05:18:47) Mag: Houve mudanças técnicas incríveis, como o surgimento da internet e houve mudanças políticas e jornalísticas. Na década de 80 o país estava saindo de um período de fechamento em busca de novidades e de sua democratização. A Ilustrada foi um veículo que ofereceu novidades. Trouxe para o jovem leitor brasileiro coisas que estavam rolando pelo mundo, ajudou a adar uma atualizada no debate cultural. Hoje, as coisas se "normalizaram" e a globalização se consolidou. São ambos momentos interessantes, embora diversos.

(05:18:57) Caetano fala para Mag: Qual o grau de relevância da ilustrada online?

(05:21:01) Mag: Não sei avaliar. Poderia dizer que a Folha Online é o principal jornal do país na internet, mas isso não responderia a questão. Acredito que ainda estamos por fazer um trabalho melhor de integração das duas plataformas da Ilustrada, a do papel e a da web.

(05:21:20) Tiago fala para Mag: Você acha que os famosos de hoje em dia estão mais espostos ao ridículo do que 50 anos atrás?

(05:22:06) Mag: Acho que existem mais meios de exposição. E mais "famosos" e mais "ridículos".

(05:22:19) Tiago fala para Mag: A Ilustrada tem muita gente trabalhando?

(05:22:47) Mag: Somos cerca de 20 na redação, além de colunistas, críticos e colaboradores.

(05:23:08) Tiago fala para Mag: A ditadura foi muito ruim na Ilustrada

(05:23:25) Mag: Foi ruim para todo mundo...

(05:23:28) blue fala para Mag: os colaboradores são convidados?

(05:24:23) Mag: Os colaboradores são convidados ou são selecionados em concursos.

(05:24:48) littlejoy fala para Mag: existe alguma barriga histórica que a ilustrada cometeu nesses 50 anos?

(05:25:54) Mag: Eu conto uma no livro: a Ilustrada esqueceu (!!) de dar anunciar a cerimônia do Oscar em 1980. Por sorte, o presidente dos EUA, Ronald Reagan, sofreu um atentado no dia e a festa passou para o dia seguinte. É demais, né?

(05:26:51) blue fala para Mag: o que é uma barriga histórica?

(05:27:14) Mag: Barriga em jornalismo é uma mancada, uma falha, uma começão de mosca.

(05:27:19) Carlinhos fala para Mag: Assim como que você decidiu entrar para o Jornalismo

(05:30:11) Mag: Eu fui entrando meio sem querer. Me formei em administração, fiz mestrado em comunicação, escrevi num jornal alternativo chamado O Beijo e comecei a fazer resenhas de livros para o Globo e para a Istoé. Foi o grande Zuenir Ventura quem me chamou para trabalhar na redação da Istoé, na sucursal carioca, no início dos 80. Depois o também grande Matinas Suzuki Jr. me chamou para trabalhar na Folha

(05:30:11) Tiago fala para Mag: A Ilustrada é figurada por gente talentosa e esperta. É difícil conseguir as informações necessárias?

(05:30:49) Mag: Nunca é fácil. Há uma grande concorrência e a batalha pela informação é permanente.

(05:31:34) fran guaranta sp fala para Mag: Qual seia o seu Maior sonho Profissional que ainda num Realizou,mas gostaria?

(05:33:29) Mag: Talvez tornar-me escritor e morar em Londres (depois de ganhar na megassena, é claro).

(05:33:47) tom cardoso fala para Mag: Mag, por que a Folha e seus editores nunca reconheceram a importância de Tarso de Castro para o caderno Ilustrada?

(05:34:38) Mag: No meu livro a importância dele está mais do que reconhecida. Eu gostava muito dele.

(05:34:50) mesokopov fala para Mag: q fato importante o caderno ilustrada deixou de publicar na sua opiniao?

(05:35:50) Mag: Pergunta difícil... Citei Há pouco o Oscar... Houve também a morte do T. S. Eliot, que o caderno não deu (alguém na seção de telex achou que era o Eliot Ness...)

(05:37:06) Kebeça fala para Mag: O queria saber qual é o segredo para ter tanto sucesso?

(05:37:18) Mag: Tá brincando...

(05:37:22) cocotinha fala para Mag: mag, recentemente a Ilustrada trouxe como reportagem de capa o "furo" sobre a confirmação dos shows do Radiohead no Brasil, em matéria do Thiago Ney. Mas, na noite anterior a informação vazou e vários blogs já davam a notícia, avisando q seria capa da ilustrada do dia seguinte, rs. O q fazer em casos assim?

(05:38:15) Mag: Pedir para que pessoas do jornal não divulguem informações exclusivas para amigos na internet

(05:38:30) danielgussen entra na sala...

(05:38:58) mariana entra na sala...

(05:39:06) DUARTE fala para Mag: Nos in´cio dos anos 1980, Ilustrada era uma espécie de bíblia. Os "dossiês" sobre autores e questões ( Kafka e Po´s-Morderno, por exemplo) marcaram muito. Claro que viviámos um período de abertura, icnlusive cultural. Ilustrada precisa se reinventar?

(05:40:00) Mag: Acho que a Ilustrada precisa se reiventar, mas pensando no futuro e não em voltar a fazer dossiês sobre Kafka e pós-moderno

(05:40:07) tom cardoso fala para Mag: Por que a Ilustrada é capaz de dar uma capa para uma banda alternativa do sul da Inglaterra e ao mesmo tempo nao dar nenhuma nota sobre a morte da cantora Marinês?

(05:40:52) Mag: Quem é a cantora Marinês?

(05:41:28) cocotinha fala para Mag: não seria o caso de dar o furo na Online e uma matéira mais aprofundada na impressa, para evitar problemas desse tipo?

(05:42:43) Mag: É uma possibilidade. Mas nem todos estão de acordo com essa política. Não é a política da Folha.

(05:43:01) Costa fala para Mag: Mag, qual foi seu primeiro trabalho?

(05:44:04) Mag: Comecei como estagiário do CNPq no Observatório Nacional, no Rio. Na imprensa, ganhando, foi repórter da Istoé.

(05:44:16) danielgussen fala para Mag: como se dá a escolha dos crítcos que fazem parte do caderno?

(05:45:47) Mag: Por meio de concursos, conhecimento do trabalho da pessoa, avaliações que incluem membros da direção do jornal... Mais de um fator interfere nessas escolhas.

(05:45:53) DUARTE fala para Mag: Obras paradidáticas, tipo Jornalismo Cultural, do seu colega Daniel Piza, podem servir de suporte para que se criem similares do caderno? Até que ponto o conteúdo serve como parâmetro para a modalidade?

(05:48:09) Mag: Não li o livro do Piza, mas, como diz o Mário Sergio Conti no meu livro, o Brasil criou uma espécie de jabuticaba no jornalismo cultural, uma fórmula que veio da Ilustrada e do caderno B, que o resto imitou. O Caderno 2 nasceu como uma imitação ruim e empolada da Ilustrada...

(05:48:24) filho do lobo fala para Mag: pq ailustrada é tao odiada enquanto o caderno 2 por ter uma postura mais anodina é mais amado, vc continua batendo um blolao ou so masters agora?

(05:49:21) Mag: Eu adoro esse cara. A Ilustrada desperta sentimentos fortes... E eu agora só atuo no masters (e muitas vezes dopado...)

(05:49:46) DUARTE fala para Mag: Sobre a polêmica da necessidade ou não do diploma de jornalista, qual a sua posição?

(05:50:04) Mag: É óbvio que não precisa.

(05:50:04) filho do lobo fala para Mag: vc acredita q haja alguma magoa de caboclo em relação ailustrada ou seja quem nao sai na ilustrada execra_a?

(05:52:53) Mag: Eu acho que a Ilustrada criou uma cultura meio idiossincrática, durante muito tempo excluiu muita gente, ditou o que era e o que não era cool - e isso gerou ressentimentos. Acho também que tem uma turma "cultural" à moda antiga que acha que a relevância de um caderno se mede pela longa extensão de matérias sobre temas "sérios" que, na verdade, nem essas pessoas lêem. É uma relação ornamental com a cultura, tipo encher a estante de livro que nunca é aberto.

(05:53:05) tom cardoso fala para Mag: Marinês, segundo Luiz Gonzaga e qualquer pessoa que saiba o mínimo sobre cultura popular, foi a maior cantora de forró de todos os tempos. Aliás, o Mario Magalhães, que conhece a cultura brasileira, falou sobre isso na época em que era ombudsman da Folha.

(05:53:37) Mag: Desculpe a ignorância.

(05:53:50) danielgussen fala para Mag: Até o início do ano passado(não tenho absoluta certeza a respeito disso), publicavam-se duas colunas diariamente na Ilustrada, Por que uma das colunas foi suprimida?

(05:55:36) Mag: Você está falando sobre as colunas no pé da pág. 2? Se é isso, foi uma decisão da direção do jornal para descongestionar a pág. 2, que vinha recebendo muitos anúncios. Isso, com as colunas, retirava muito espaço da Mônica Bergamo.

(05:58:06) JLQ pergunta para Mag: Olá, sou assinante da Folha por causa da Ilustrada, pronciplamente por causa dos quadrinhos e do Cony. Sinto falta de um crítico musical de peso, alguém como o grande crítico de literatura que vocês têm. Algo parecido com o Tinhorão. Abraços e parabéns. OBS: Dá para aumentar o tamanho das fotos que acompanham os textos?

(05:58:45) Mag: Obrigado pelas observações! Sim, dá para aumentar (se tiver espaço...)

(06:00:02) Geovanna/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Marcos Augusto Gonçalves e de todos os internautas. Até o próximo!

 

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