Bienal "do vazio" termina amanhã em São Paulo
da Efe
Um grande espaço vazio foi a aposta da 28º Bienal de São Paulo, aberta ao público até amanhã. O formato "pretende romper com os modelos estabelecidos", afirmou nesta sexta-feira o curador da mostra, Ivo Mesquita.
Os visitantes da mostra têm mais um dia para visitar o pavilhão da Bienal de Arte, por onde passaram cerca de 2.500 pessoas todos os dias em seus 45 dias duração.
| Choque/Folha Imagem | ||
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| Durante a Bienal, jovens picharam as paredes do prédio, projetado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer |
Segundo Mesquita, ao deixar o segundo andar completamente vazio (cerca de 12 mil metros quadrados) foi estabelecida uma "clara diferença" em relação às outras bienais e às edições anteriores realizadas em São Paulo.
"Hoje em dia se realizam mais de 150 bienais no mundo e todas oferecem as mesmas coisas", afirmou Mesquita.
Ele também disse que o vazio está surpreendendo "positivamente" os visitantes, em sua maioria paulistanos, pouco habituados a desfrutar do silêncio e dos grandes espaços "sem nada", algo "muito raro" na vida diária da metrópole.
"Vivemos imersos em uma cultura na qual o tempo todo estamos consumindo, temos que ver, olhar ou comprar alguma coisa", diz. Por esta razão, o vazio serviria para "deixar o indivíduo com suas idéias e suas expectativas sobre o que é ou não é a arte".
"O espaço vazio é uma metáfora sobre qualquer coisa", cada um o interpreta, disse Mesquita ao dizer que ele, como curador, não pretendeu fazer nenhuma crítica a uma suposta "pobreza da produção artística atual", mas inovar sobre o conceito de uma bienal, que "nem sempre têm que ser de paredes brancas cheias de quadros".
De acordo com Mesquita, as bienais devem ser "laboratórios" onde são mostrados os trabalhos mais inovadores e onde se experimente a maneira de apresentá-los, uma vez que em cidades como São Paulo já existem espaços para que os artistas exponham seus projetos.
No final, a bienal decepcionou e emocionou a crítica. Mesquita diz que "nenhum evento deste tipo tem uma resposta imediata" e que é preciso anos para entender o que a Bienal quer representar. "Se a bienal é criticada e analisada, já é um sucesso" disse.
Além dos 12 mil metros quadrados de vazio do segundo andar, a 28ª Bienal de São Paulo reúne obras de 42 artistas de vanguarda de 22 países que mostram ao público uma série de "performances" e propostas alternativas diferentes das que predominam.
A bienal reúne, desta vez, menos artistas do que em suas últimas duas edições, quando contou com 130 expositores, em 2004, e com 100, em 2006.
Ivo Mesquita é o curador da Bienal de São Paulo e da Pinacoteca do Estado, além de formado em jornalismo e mestrado em História da Arte.
O paulistano de 57 anos também trabalhou como curador independente e diretor do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo.


