"Crise do intelectual brasileiro veio com a democracia", diz Cacá Diegues
DAYANNE MIKEVIS
PAULA CARVALHO
da Folha Online
O cineasta Cacá Diegues utilizou a figura do escritor francês Émile Zola para falar sobre a relação da cultura e da arte no século 20.
"A crise do intelectual brasileiro veio com a democracia", afirmou Diegues.
Diegues participa de debate pelos 50 anos da Ilustrada, ao lado da psicanalista Maria Rita Kehl, de Caetano Veloso e do poeta Ferreira Gullar. A mediação é de Fernando de Barros e Silva, editor do caderno Brasil.
| Renata Dillon/Divulgaçao |
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| Cacá Diegues é um dos convidados do ciclo de debates dos 50 anos de Ilustrada |
Diegues começou sua apresentação contando como Émile Zola enfrentou a imprensa francesa para elogiar uma obra do pintor Edouard Manet. Ao fim, Zola ficou sem emprego, mas recebeu um agradecimento de Manet.
Diegues disse que o intelectual acabou se tornando um "funcionário público". Ele disse que o Estado acabou se tornando um produtor de serviços sociais e de cultura. No entanto, o cineasta afirmou que crê que isto mude, devido à crise mundial, pois esta mostrou que o mercado precisa do Estado.
O papel do intelectual deve mudar, segundo o cineasta. O produtor de cultura deve ser voltar mais às pessoas, e menos ao mercado.
O cineasta também disse que "o intelectual não tem que produzir idéias que produzam fatos, mas que perceber fatos que produzam idéias".
Diegues afirmou que hoje existe desconfiança com relação ao "fanatismo iluminista", a crença cega de que a razão resolveria todos os problemas da humanidade. "Ninguém mais acredita na visão de que o homem seria um travesti de Deus."
"Nosso trabalho de produção cultura é de na verdade de inventar novos sonhos e é aí que reside o caráter progressista da cultura", disse o cineasta.
"Nós estamos vivendo em um onde inteiramente novo com idéias e ferramentas que não existem mais. Nós temos que criar novos fatos", afirmou Diegues.
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