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Ilustrada
08/12/2008 - 21h02

"Fazíamos teatro ruim para ninguém", diz Ferreira Gullar

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DAYANNE MIKEVIS
PAULA CARVALHO
da Folha Online

O poeta Ferreira Gullar evocou seus tempos no CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE para falar sobre cultura e política, algo que ele disse ser indissociável de seu pensamento. Ele comentou que, apesar da iniciativa de levar acesso à arte, a qualidade foi uma grande questão para alguns setores artísticos.

Gullar participa nesta segunda-feira, no auditório do Masp, na avenida Paulista, do debate "Cultura e Política", evento que integra as comemorações dos 50 anos da Ilustrada.

Sidinei Lopes/Folha Imagem
Poeta e cronista Ferreira Gullar leva o Prêmio Jabuti de Livro do Ano (ficção)por "Resmungos
Poeta e cronista Ferreira Gullar leva o Prêmio Jabuti de Livro do Ano (ficção)por "Resmungos

Além do poeta, participam da discussão o cineasta Cacá Diegues, a psicanalista Maria Rita Kehl e o compositor Caetano Veloso. A mediação é de Fernando de Barros e Silva, editor do caderno Brasil.

Gullar lembrou das iniciativas teatrais do grupo, inspirado, assim como grande parte das atividades culturais e intelectuais da época, segundo ele, pela Revolução Cubana.

"A Revolução Cubana é que abriu a imaginação da sociedade latino-americana com o intuito de resgatar a justiça necessária para os oprimidos", disse o poeta.

Segundo ele, o CPC resolveu criar uma "arte para o povo". No entanto, as peças do grupo, de caráter anticapitalista, só eram vistas por comunistas.

"Fazíamos teatro ruim para ninguém", afirmou Gullar, que em seguida comentou que a qualidade, independentemente do contexto político, é o que distingue a arte.

"Eu aprendi que podia fazer uma poesia política boa, de qualidade", afirmou, alertando para que o rótulo de panfletário não se confunde com o de boa qualidade.

Com a ditadura militar, Gullar se juntou ao Teatro Opinião, que tinha por objetivo fazer "o melhor teatro político do país. Aprendemos a lição, precisávamos de público".

Chávez

"Hoje, a função que eu tenho disso é que uma obra de arte já tem uma função social", afirmou Gullar ao discorrer mais sobe política.

"Essa função é satisfatória, é suficiente", agregou o poeta. "Se o sujeito tiver uma causa que ele queira fazer de tema, acho válido porque cabe tudo".

"Não acredito que ninguém, exceto o Chávez, acredite que vá fazer a revolução socialista", afirmou Gullar, que, no entanto, disse que seu descrédito em uma "revolução" não signifique que o capitalismo tenha se tornado algo bom.

Para o poeta, o capitalismo é "selvagem" em sua essência. "O capitalismo é como a natureza, criativa, poderosa e cruel. Ela destrói e cria tudo de novo", explicou.

Gullar afirmou que no capitalismo milhões de pessoas produzem com a ambição de melhorar de vida, e é impossível competir com esse tipo de força. "Mas isso não significa que o capitalismo seja bom", indicou.

"Eu, o mundo, eu desisti de entendê-lo, de modo que fico modestamente aqui em um canto fazendo meus poemas, esperando que alguém leia", afirmou Gullar.

 

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