"Calypso revoluciona música popular brasileira", diz Caetano
DAYANNE MIKEVIS
PAULA CARVALHO
da Folha Online
Atualizado às 21h26.
Caetano Veloso diz enfrentar preconceito de quem considera que se algo é bem vendido, é ruim. A afirmação foi feita em resposta à pergunta de Fernando Barros e Silva, editor do caderno Brasil, mediador no debate "Cultura e Política" realizado nesta segunda-feira no auditório do Masp, na avenida Paulista.
Segundo ele, outra "vítima" desse preconceito é o grupo Calypso. "O Calipso revoluciona a música popular brasileira", afirmou o compositor.
O grupo do Pará revoluciona o "modelo comercial e de distribuição, modelo de espetáculo, de composição e canção", afirmou Caetano.
Em um mundo que o "que vende é valorizado", "é uma piada que o Radiohead seja considerada a melhor banda de rock do mundo".
"Hoje, quem parece ser mais independente do mercado vende mais", disse.
Além de Caetano, participam do debate em comemoração aos 50 anos da Ilustrada, o poeta Ferreira Gullar o cineasta Cacá Diegues e a psicanalista Maria Rita Kehl.
Caetano disse que ele mesmo sofre desse preconceito. "Muita gente diz que uma coisa não pode ser boa justamente porque vende", afirmou.
O compositor também citou o jornalista Paulo Francis, que disse que "escreveu romances horríveis".
Vendas
Caetano afirmou que sua carreira é marcada pela irregularidade nas vendas. "Um dia eu vendi um milhão, mas no geral fico nos 100 mil", afirmou o compositor.
O compositor respondia a uma intervenção de Maria Rita Kehl após pergunta de Fernando de Barros e Silva.
Kehl disse que a crítica feita em relação ao material de gosto duvidoso que ganha o mercado é válida. Ela disse que, por outro lado, há nichos nos quais grupos de qualidade atualmente conseguem "um lugar ao sol" como o Cordel do Fogo Encantado.
O compositor disse ainda que a indústria fonográfica "deixa de ser uma indústria" devido aos novos formatos que permitem baixar ou copiar músicas.
Cinema
Diegues afirmou que o cinema segue o mesmo caminho. "Não sou muito contra a pirataria", afirmou o cineasta que exemplificou que um vietnamita mostrou uma cópia pirateada de "Tieta" e ele disse ter ficado muito feliz. "Imagina, um vietnamita vendo "'Tieta'."
"A pirataria no Brasil não é questão policial, mas social, porque aquela pessoa quer consumir o produto", opinou.
Ele afirmou acreditar que, no futuro, o cinema deve ser comprado pela linha telefônica. "O filme vai ser de graça para você comprar aos outras coisas que têm em volta", disse Diegues ao afirmar que os filmes devem se transformar em "brindes" para o consumidor.
"Ele vai vender o DVD, a propaganda da sala, a pipoca mais cara do mundo, a Coca-Cola mais cara do mundo."
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