Versão de "Scarface" com Al Pacino completa 25 anos
da Efe
Excessiva, histriônica, violenta, puro Al Pacino: Assim é "Scarface", filme que completa 25 anos nesta terça (9) e patenteou uma estética de videogame ainda vigente e reiterou o ator americano, na pele do mafioso cubano-americano Tony Montana, como uma referência da atuação exagerada.
| Divulgação |
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| Al Pacino no papel do mafioso Tony Montana em "Scarface"; filme completa 25 anos hoje |
Considerada uma obra prima por alguns, ou uma vulgar e tediosa apologia da violência, por outros, "Scarface" (cara cortada) não deixou ninguém indiferente após sua estréia em 9 de dezembro de 1983.
Apesar de reunir todas as variáveis para triunfar no Oscar --história de mafiosos, metragem longa e grande porções de Al Pacino--, o filme precisou se conformar com uma triste candidatura ao Razzie (espécie de anti-Oscar) para seu diretor, Brian de Palma.
"Scarface", que narra a ascensão e queda de um cubano que abandona a ilha no êxodo de Mariel, em 1980, e cria um império da cocaína em Miami, era um projeto de Martin Scorsese e Robert de Niro, mas, no final, o produtor Martín Bregman decidiu que Sydney Lumet o dirigisse a partir de um roteiro de Oliver Stone.
No entanto, Lumet abandonou o projeto, porque, como reconheceu o próprio Oliver Stone em entrevista, pensava que o roteiro era "violento e exagerado demais".
Brian de Palma o substitui e dedicou o filme a Howard Hawks e Ben Hetch, diretor e roteirista, respectivamente, da primeira versão de "Scarface", de 1932, ambientada na Chicago da lei seca e onde o protagonista era Tony Camonte, um gangster de origem italiana.
Tudo em "Scarface" é excessivo: da duração à interpretação de Pacino, que opta expressamente pela caricatura com uma gesticulação bovina mais própria de Silvester Stallone do que de um ator do método.
Ele mesmo reconheceu que exagerou os rasgos de seu personagem.
O roteiro de Oliver Stone, como boa parte de seu cinema posterior, esquece o politicamente correto e permite que seus personagens se refiram aos negros como "macacos", aos latinos como "índios" e "cucarachas", e que o mafioso Frank López (Robert Loggia), chefe de Montana, lhe apresente sua esposa, Elvira (Michelle Pfeiffer), como a típica mulher que "passa metade da vida se vestindo e a outra metade se despindo".
Não são as únicas "pérolas" de um relato misógino e verbalizado através de uma linguagem particularmente grossa: se nos quase 170 minutos do filme o número de mortos chega a quase 100, esse número fica pequeno para enumerar as ocasiões em que Pacino conjuga o verbo "fuck", enquanto muda de arma com tanta desenvoltura quanto um soldado de "Call of Duty" (jogo eletrônico que simula a 2ª Guerra Mundial).
"O mundo é seu" é o lema do império montado por "Scarface". Um mundo do qual ninguém sai imune: a Polícia, os juízes (Montana se crê capaz de subornar a Suprema Corte dos Estados Unidos com US$ 800 mil), os banqueiros e, em geral, uma sociedade hipócrita que, como ressalta Montana, necessita que haja gente má como ele para esconder suas próprias misérias.
Da mesma forma que os trajes de Tony Montana e sua música da virada dos anos 70 para os 80, assinada pelo produtor Giorgio Moroder, um dos principais nomes da disco music, "Scarface" envelheceu mal como puro cinema mas tem o valor de inspirar uma estética de videogame ainda vigente, de revelar Michelle Pfeiffer --até então uma quase desconhecida protagonista de "Grease 2"-- e de gerar dezenas de imitadores de Al Pacino.
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