"Livro é produto cultural como qualquer outro", diz Cristovão Tezza
DAYANNE MIKEVIS
PAULA CARVALHO
da Folha Online
O escritor Cristovão Tezza, grande vencedor das premiações literárias deste ano com o livro "O Filho Eterno", afirmou que o livro é um produto cultural como qualquer outro e pontuou que veio de uma época na qual os escritores se viam como à parte do mercado.
"O livro é um produto cultural como qualquer outro", afirmou Tezza, que ainda disse que a circulação do livro como objeto melhorou significativamente". Tezza exemplificou o interesse que o produto atrai ao comentar os investimentos estrangeiros no setor no Brasil.
As afirmações ocorreram durante o debate "Cultura e Consumo" começou nesta terça-feira no auditório do Masp, em São Paulo. Abertura do evento, que é parte das ações pelos 50 anos da Ilustrada, foi feita por Alcino Leite Neto, ex-editor do caderno e do "Mais!" e atual editor de Moda.
Além do escritor, participam da mesa o psicanalista Contardo Calligaris, o cineasta José Padilha e o cantor Lobão.
"Literatura sempre foi sentida por mim, ou por parte da minha geração, como uma linguagem que não se enquadra", afirmou Tezza, quando comentou sobre a relação inicial dos artistas com o mercado.
Calligaris
Calligaris afirmou que o consumo possibilita a diversidade cultural e mobilidade social.
O colunista da Ilustrada disse que a idéia comum é que o consumo seja uma coisa ruim, mas o contrário de consumo são restrições de acesso a produtos a certas classes sociais.
"Nem toda cultura popular é porcaria ou alienante. A cultura popular é o que se oferece mundo afora", declarou Calligaris, que ainda acrescentou que cultura e mercado não são princípios contraditórios.
Lobão
Lobão defendeu que o dinheiro esteve presente em grandes manifestações artísticas. "Se a gente não toca no rádio, a gente não existe, e a gente não vira trilha sonora de uma geração", afirmou.
"Em todo transcorrer da arte houve grana e houve muita grana", disse o cantor ao mencionar um exemplo sobre o escultor, pintor e cientista Leonardo da Vinci.
Lobão também disse que as gravadoras devem ter um papel remodelado e que não é confortável que estejam nas mãos em que estão, mas que elas têm um papel e não devem se extinguir, já que possuem uma função importante de colocar novos nomes no mercado.
José Padilha
O cineasta José Padilha considerou que para refletir sobre cultura e consumo é preciso definir melhor os significados dos dois termos.
"Segundo os antropólogos, hábitos de consumo fazem parte da cultura de sociedade", explicou.
O diretor de "Tropa de Elite" ainda comentou que uma sociedade sem mercado, há menos liberdade.
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