"Empresas fabricam produtos para piratas", diz Cristóvão Tezza
DAYANNE MIKEVIS
PAULA CARVALHO
da Folha Online
O escritor Cristóvão Tezza, grande vencedor das premiações literárias deste ano com o livro "O Filho Eterno", disse que as empresas criam produtos que facilitam a difusão da pirataria.
"Afinal, o que é TV com entrada para cabo USB?", perguntou Tezza, explicando que, com isso, é possível assistir a um filme baixado da internet na tela da televisão.
As declarações foram feitas no debate "Cultura e Consumo", que aconteceu nesta terça-feira no auditório do Masp, em São Paulo. A mesa faz parte do ciclo de debates promovidos pela Folha para comemorar os 50 anos da Ilustrada.
Alcino Leite Neto, ex-editor do caderno e do 'Mais!' e atual editor de Moda, foi o mediador do debate que ainda contou coma presença do psicanalista Contardo Calligaris, do cineasta José Padilha e do cantor Lobão.
O músico também defendeu a observação de Tezza, afirmando que empresas lucram mais confeccionando CDs virgens para os piratas do que gravando discos de artistas.
Durante o debate, Lobão se mostrou favorável às gravadoras, apesar de ter lançado um disco de forma independente; e Tezza considerou o livro como um produto cultural, apesar de sua geração ver a literatura como uma forma de manifestação fora do sistema.
Ao ser questionado sobre a questão da restrição da venda da meia entrada, Padilha se mostrou contra subsídio do governo à entrada no cinema, a fim de alavancar o público do cinema brasileiro.
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