"Fazíamos piadas com os nossos heróis", afirma Ruy Castro
da Folha Online
Atualizado às 20h24.
O jornalista e escritor Ruy Castro afirmou que, nos anos 80, a Ilustrada fazia piada com os "heróis" dos integrantes do caderno.
"Fazíamos piada com o João Gilberto e os concretistas", declarou Castro. "Hoje, estaríamos tão indignados com a unanimidade da Madonna que íamos fazer piada com ela na capa da Ilustrada".
As declarações foram feitas durante o debate "Cultura e Jornalismo", que acontece nesta quarta-feira no auditório do Masp, em São Paulo. O debate, que faz parte das celebrações pelos 50 anos da Ilustrada, é mediado por Marcos Augusto Gonçalves, atual editor do caderno.
Além de Castro, participam no debate Matinas Suzuki Jr., que foi editor da Ilustrada na década de 80, e Marcelo Coelho, colunista da Ilustrada e membro do Conselho Editorial da Folha.
Coelho apontou que o jornalismo sem humor "não é nada. A história do jornalismo é acompanhada pelo humor".
O ex-editor do caderno Matinas Suzuki narrou um caso envolvendo o cantor e compositor João Gilberto.
"O João Gilberto não dava entrevista, nem fazia shows há não sei quantos anos. Nós conseguimos colocar dois repórteres um como mordomo do João Gilberto no camarim, e outro como garçom. Ele não tinha aparecido até a hora do fechamento no dia do show. Foi para a capa a foto do banquinho vazio", contou.
Crítica
Matinas declarou que a Ilustrada da década de 80 ajudou "a matar a boa crítica, e sempre deveria ter espaço para uma boa crítica de cinema, de teatro".
"Acho que, naquela bagunça, naquele espaço em que se podia mexer com tudo, foi o que matou" a boa crítica cultural, afirmou Suzuki.
Ruy Castro reiterou que havia "muita liberdade" no caderno nos anos 80, em que qualquer um podia escrever sobre qualquer assunto.
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