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Ilustrada
11/12/2008 - 16h48

ILUSTRADA 50 ANOS: 1975 - Frank Sinatra vem ao Brasil

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"A primeira confusão de Sinatra no Brasil", assinado do Rio de Janeiro, foi publicado originalmente terça-feira, 22 de janeiro de 1980.

Sorridente, mascando chiclete e dizendo-se "muito feliz por estar entre vocês", o cantor Frank Sinatra - um dos maiores astros da canção norte-americana de todos os tempos - chegou ontem ao Brasil para uma série de cinco apresentações, uma delas no estádio do Maracanã, com uma platéia já garantida de 90 mil pessoas - um recorde mundial de público do cantor.

Sinatra veio acompanhado de sua quarta mulher, Barbara Marx, e do amigo Spiro Agnew, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, além de um grupo de 14 pessoas, entre músicos e amigos. Ele desembarcou por volta das 8h40 no aeroporto do Galeão, onde o aguardava um aparato digno de chefe de estado, com 120 homens mobilizados. Comprovando as difíceis relações com a imprensa, ele acabou não dando entrevista no Rio Palace Hotel, onde se hospeda, o que causou tumulto nos corredores.

AP
O cantor Frank Sinatra
O cantor Frank Sinatra

No Galeão, havia apenas meia dúzia de fãs do cantor, enquanto no Aeroporto Internacional, para onde estava prevista a chegada, não havia ninguém no horário divulgado. Foi delimitado um espaço para a cobertura jornalística do desembarque, com as proibições do uso de "flashes" nas fotos e de ultrapassagem da cerca improvisada.

O avião W 1803 da Branif com Sinatra e convidados pousou às 8h40, depois de cerca de oito horas de vôo, procedente de Miami, de onde partiu aos 33 minutos de ontem. A transferência de pouso para o Galeão, usado apenas para carga, foi atribuída a motivos de segurança.

Frank Sinatra desceu do avião ao lado de Barbara. Ele estava vestido com um "blazer" branco, óculos escuros, calças cinzas, sapatos marrons, camisa azul e correntes no pescoço. A cada grito de "Frank", dos fotógrafos, ele atendia com acenos e sorrisos. Havia um verdadeiro batalhão de repórteres para o desembarque. Sinatra parou um momento para assinar o livro de ouro do aeroporto, e em seguida, embarcou no helicóptero da Votec, o mesmo que atende a Petrobrás na bacia petrolífera de Campos.

Do Galeão, o astro foi levado até o aeroporto Santos Dumont, de onde seguiu de carro até o Rio Palace Hotel, em Copacabana.

Bill Kostroun/AP
Sinatra sorri durante apresentação em seu aniversário de 75 anos
Sinatra sorri durante apresentação em seu aniversário de 75 anos

A chegada de Sinatra no hotel foi cercado de tumultos. Cerca de 200 pessoas se agruparam junto ao seu carro, mas os agentes de segurança fizeram um cordão em torno dele e praticamente o arrastaram para dentro do hotel. Ali, uma entrevista coletiva à imprensa seria concedida a pedido do próprio cantor, segundo o empresário Roberto Medina.

Já irritado pelo assédio na entrada e pedindo calma, Sinatra entrou no salão destinado à entrevista e fez uma breve declaração, dizendo sentir-se feliz por estar entre os brasileiros e esperando passar bem nos dias em que ficará no Rio. Uma jornalista argentina perguntou se ele se considerava "o único" (em francês). Sinatra fez sinal impaciente dando a entender que a pergunta era muito boba e não merecia resposta.

Havia uma grande movimentação e fotógrafos e cinegrafistas e os repórteres esperavam iniciar naquele momento a entrevista, quando um assessor do astro deu por encerrado o encontro. Seguiu-se a correria, os empurrões. Uma radialista tentou gravar palavras de Sinatra mas levou uma cotovelada de um agente. Cercado pelos seguranças, Sinatra era arrastado até o elevador, enquanto pedia calma. Um assessor pedia calma e gritava que era "uma vergonha", porque, disse depois, "passaram a mão" na mulher de Sinatra.

O empresário Roberto Medina não gostou do tumulto e prometeu uma outra entrevista para mais tarde. Revelou depois que 2 milhões e 800 mil dólares já haviam sido gastos na promoção, e que já teriam sido vendidos 90 mil ingressos para o show no Maracanã.

Entre os músicos que chegaram o cantor estavam Geni Cherico, contrabaixista, Al viola, guitarrista e, Charles Turner, regente. Além desses, vieram os casais de amigos Castelani e Ulkemann; Bob Marx, filho de Barbara, e Spiro Agnew, acompanhado da mulher.

 

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