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Ilustrada
12/12/2008 - 16h24

ILUSTRADA 50 ANOS: 1982 - Gil Gomes, repórter das tragédias diárias

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da Folha Online

O jornalista Miguel de Almeida, na Ilustrada de 25 de janeiro de 1982, acompanhou um dia de trabalho do repórter Gil Gomes.

O expediente havia começado em um velório, em que o defunto retornou dos mortos. A família, surpreendida, se deu conta de que o corpo no caixão, apesar de parecido, não correspondia ao do filho, que ainda estava vivo.

Havia quase 11 anos que Gomes era o recordista de audiência na rádio paulista e era um nome conhecido do grande público.

Reprodução
Veja reprodução da página do jornal que traz a notícia
Veja reprodução da página do jornal que traz a notícia

Antes narrador esportivo, o repórter nunca havia pensado em se embrenhar para o gênero policial. "Porque polícia sempre me cheirara a coisa de mundo cão", explicou.

Mas essa concepção foi deixada de lado quando cobriu um assalto em um prédio. A reportagem conseguiu um índice de audiência incrível e grande repercussão.

"Sentiu ali um novo caminho, talvez uma fatia ainda não explorada. Ou pouco explorada. Sim, pelo rádio brasileiro existiam dezenas de programas policiais, mas todos carentes de personalidade própria, de condimento dramático, que não utilizassem o veículo somente como uma extensão da delegacia, algo frio, impessoal", escreve Almeida.

Gomes revolucionou a cobertura policial ao colocar suspense na narração do fato, prender a atenção do ouvinte, de aterrorizá-lo e levá-lo à conclusão de que "o crime não compensa".

"Eu uso o meu programa para incutir na cabeça da população que isso não adianta [morte para "lavar a honra"]. Qual é o resultado de se armar a população? Somente mais mortes, mais crimes", disse Gomes.

 

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