Sofia Coppola revela talento em drama sobre a juventude
BRUNO YUTAKA SAITO
da Folha de S.Paulo
Em 1999, quando estreou na direção com "As Virgens Suicidas", que tem lançamento em DVD, Sofia Coppola ainda era lembrada apenas como a adolescente nariguda que tivera uma atuação constrangedora em "O Poderoso Chefão 3" (90).
Foi ao entrar em contato com o livro homônimo de Jeffrey Eugenides que Sofia encontrou a maneira de se reinventar como artista. Ela tinha à mão uma trama contemporânea, escrita como se fosse um romance clássico, como explica o making of do DVD.
| Divulgação |
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| Cartaz de "As Virgens Suicidas", que sai agora em DVD |
É fácil, hoje, após a consagração com seus filmes seguintes, os excelentes "Encontros e Desencontros" (03) e "Maria Antonieta" (06), entender as razões pelas quais o livro de Eugenides fascinou a diretora. Sofia começava ali a definir seus temas essenciais, perseguidos e seguidos à risca nessas produções. Mais do que um cinema de "mulherzinha", ou feminista, como um olhar mais rasteiro poderia sugerir, ela adota visão cúmplice sobre a alienação, carregada de um sentimento de não-pertencimento, algo que extrapola as definições de sexos.
Com "Virgens...", tais sensações vêm em estado bruto, já que o foco é a adolescência. Uma das idéias que resumem o filme está na fala de Cecilia, a irmã mais nova, após tentativa de suicídio. "Você não tem idade para saber o quanto a vida fica difícil", diz o médico, no que ela responde: "Obviamente, doutor, você nunca foi uma garota de 13 anos".
A questão não é entender as razões do que o título do filme entrega --a repressão dos pais não explica o ato das cinco irmãs. Prevalece o inexplicável.
A estrutura escolhida por Sofia garante a magia. A história vem narrada por homens que na época --o longa se passa nos anos 70-- eram apenas moleques apaixonados pelo quinteto. Eles relembram garotas que permanecerão para sempre em suas memórias, perfeitas, belas e intocadas. Sofia parece evocar astros que morreram jovens, como James Dean ou Marilyn Monroe, para vasculhar o voyeurismo e o fetichismo.
Para completar, a trilha do duo francês Air garante o clima onírico, de beleza mórbida, necessário a esse filme que só melhora com o tempo.
AS VIRGENS SUICIDAS
Direção: Sofia Coppola
Distribuidora: Paramount (à venda exclusivamente nas lojas da rede
2001; site: www.2001video.com.br, por R$ 19,90)
Classificação: não indicado para menores de 16 anos
Avaliação: bom
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