"O Senhor dos Anéis" representa cinema que vingou em 2000, diz José Geraldo Couto
PAULA CARVALHO
da Folha Online
Após a exibição gratuita de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", obra-prima de Glauber Rocha, começou nesta segunda-feira, em São Paulo, o debate sobre a produção cinematográfica das últimas cinco décadas com quatro críticos de cinema da Folha: Cássio Starling Carlos, Inácio Araujo, José Geraldo Couto e Sérgio Rizzo.
O evento faz parte das celebrações dos 50 anos da Ilustrada. "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de 1964, foi um dos cinco ganhadores de enquete promovida em comemoração pelos 50 anos da Ilustrada na Folha Online, para eleger os melhores filmes das décadas 1958-1969; 1970-1979; 1980-1989; 1990-1999; 2000-2008.
O clássico de Rocha foi votado o melhor filme da década 1958-1969, com 3.917 votos. Na década 1970-1979, o ganhador foi "O Poderoso Chefão" (1972/1974), de Francis Ford Coppola, com 12.752 votos. Já "Blade Runner" (1981), de Ridley Scott, com 6.115 votos, foi o vencedor na década 1980-1989.
Quentin Tarantino, com "Pulp Fiction - Tempos de Violência" (1994), ganhou 3.957 votos entre os longas da década 1990-1999. Já entre 2000-2008, o escolhido foi "O Senhor dos Anéis" (2001/2002/2003), de Peter Jackson, com 6.091 votos.
Com relação à escolha de "O Senhor dos Anéis", José Geraldo Couto afirmou que o filme "representa determinado tipo de cinema que vingou" na primeira década do século 21.
Segundo ele, a enquete mostra uma mudança de foco na concepção de cinema do público. "Na hora de fazer a relação de filmes da enquete, escolhemos não necessariamente os melhores, mas os que são mais representativos", explicou.
"Por exemplo, 'Blade Runner' não é o meu filme preferido, mas é bastante significativo na época, pois relaciona referências do próprio cinema, o cinema da reciclagem, dos mitos e dos estilos", esclareceu Couto.

