Ilustrada
17/12/2008 - 12h40

Woody Allen diz que premiações "não servem para muita coisa"

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da Efe, em Roma

O cineasta americano Woody Allen, autor de filmes como "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977), "Manhattan"(1979) e "Match Point" (2005), diz que não aspira ao Oscar, nem sequer ao Globo de Ouro porque não crê que "os prêmios sirvam para muita coisa".

Vincent Kessler/Reuters
Diretor disse em entrevista a jornal italiano que não pensa muito em ganhar prêmios por seus filmes
Diretor disse em entrevista a jornal italiano que não pensa muito em ganhar prêmios

O diretor respondeu assim a uma pergunta sobre se pensa em ganhar um Oscar. "Não penso muito nisso, mas também não penso no Globo de Ouro. Queria que os prêmios representassem algo, mas infelizmente, visto o modo em que se organizam, não acho que sirvam para muito".

Allen fez estas declarações em entrevista publicada nesta quarta-feira (17) pelo jornal italiano "La Repubblica", na qual acrescentou que "não pensa muito" nas quatro indicações que recebeu "Vicky Cristina Barcelona", protagonizado por Javier Bardem, Penélope Cruz, Scarlett Johansson e Rebecca Hall, para o próximo Globo de Ouro.

O filme concorre nas categorias melhor ator principal (Bardem), melhor atriz (Hall) e melhor atriz coadjuvante (Cruz) e melhor filme de comédia ou musical.

"'Vicky Cristina Barcelona' para mim já é história, filmei há dois anos; já estreou, as pessoas gostaram e agradeço, mas nestes dois anos fiz um novo filme ("Whatever Works") e escrevi outro que montarei no próximo verão", explicou.

"Whatever Works", protagonizado pela jovem Evan Rachel Woods e pelo comediante Larry David, estreará em junho de 2009 e foi definido por Allen como "uma história romântica entre gente original que, ao se encontrar, cria muitos conflitos e problemas".

Allen falou também na entrevista sobre o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de quem disse que espera que "faça um bom trabalho", mas que não espera "milagres".

"Sou otimista a respeito de Obama, é uma pessoa muito inteligente. Por outro lado, saímos de anos dominados pela pior, mais incompetente e mais corrupta administração que o país teve", sustentou.

Questionado sobre sua outra grande paixão, a música --mais especificamente, o jazz--, o cineasta comentou que na Europa as pessoas estão mais interessadas neste gênero do que nos Estados Unidos.

"Não consigo explicar, já que os melhores músicos de jazz são americanos. Mas está comprovado que muitos deles foram obrigados a se mudar para a Europa para trabalhar e viver", declarou Allen.

Além disso, acrescentou que não aprecia a música pop porque ela não consegue o emocionar e assinalou que seu gênero favorito é o jazz de Nova Orleans, enquanto seus ídolos são músicos como Ornette Coleman, John Coltrane, Thelonious Monk e Charlie Parker.

"Cresci em um era de música maravilhosa com Cole Porter, George Gershwin e Irving Berlim. A música até os anos 50, para mim, não era só música, era o verdadeiro sentido da minha vida", afirmou.

 

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