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Ilustrada
20/12/2008 - 10h52

Documentário traz Tom Zé genial e feroz

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LUIZ FERNANDO VIANNA
da sucursal do Rio da Folha de S.Paulo

Pode ser ainda mais curioso assistir agora ao bom documentário "Fabricando Tom Zé", lançado em 2007.

No mês passado, reabrindo uma ferida que parecia fechada, o protagonista do filme de Décio Mattos Jr. mandou Caetano Veloso às favas (em outros termos) e esbanjou mágoa: "Não posso aceitar agora o seu colo e do grupo baiano, que durante todos esses anos me separaram até do que era meu, enquanto gozavam todo o prestígio e privilégios, talvez como ninguém mais neste país analfabeto".

No filme, que chega hoje à TV, Caetano faz um mea-culpa: "Quase o [Tom Zé] deixamos ser esquecido, em muito pouca medida pelas carências dele, incapacidades ou incompetências, e muito mais pela singularidade de sua genialidade".

É difícil saber se há motivos para Caetano e Gilberto Gil --que também depõe no documentário-- ficarem razoavelmente culpados ou Tom Zé ficar tão intensamente magoado. Mas as duas frases citadas refletem características do baiano que são fartas no filme.

De um lado, a "singularidade de sua genialidade", seu experimentalismo constante, seu desapego a rótulos e confortos. Do outro, sua pesada passionalidade, que o leva a atacar com ferocidade um técnico de som do Festival de Montreux.

O filma louva Tom Zé sem poupá-lo de constrangimentos. Melhor para quem vê.

"Fabricando Tom Zé"
Quando: hoje, às 20h30
Onde: SescTV
Quanto: não indicado a menores de 12 anos

 

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