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Ilustrada
01/01/2009 - 12h44

Filme sobre consumo inicia veto a comerciais infantis

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LAURA MATTOS
da Folha de S.Paulo

Hoje é um bom dia para assistir à programação infantil da TV Cultura. O telespectador deve conferir uma promessa feita por Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta, que administra a emissora: "A partir de 1º de janeiro de 2009, não haverá mais anúncios de produtos durante a programação para crianças".

No mesmo dia em que a nova regra entra em vigor, a Cultura leva ao ar, às 23h10, o documentário "Criança, a Alma do Negócio". Dirigida por Estela Renner, a obra tem como ponto de partida uma pesquisa sobre consumo e criança do Instituto Alana. Mostra a influência da publicidade na infância e traz declarações de crianças sobre o tema, como uma garota que sonha morar em um shopping e outra que explica por que comprar é melhor do que brincar.

Também exibe comerciais em que as crianças são usadas para comover o consumidor, especialmente os de empresas de telefonia --em um deles, o pai abre o celular e vê o vídeo em que o filho pequeno diz "eu te amo". Em uma roda de meninos e meninas, a maioria soube dizer o nome da companhia de celular ao ver o logotipo.

Emissora pública, a Cultura vinha exibindo comerciais como as TVs privadas. A TV Rá-Tim-Bum, canal infantil pago da Fundação Padre Anchieta, já chegou a veicular anúncios de bonecos da novela "trash" do SBT "Rebelde" durante intervalo de programas educativos.

Essa política vinha sendo criticada até por membros da cúpula da Cultura. A emissora também foi pressionada pelo governo do Estado, responsável por parte de seu orçamento.

Em contrato assinado no início de dezembro com a Fundação Padre Anchieta, que exige diminuição da publicidade, o governo tentou vetar a propaganda infantil. A cláusula só não entrou porque a fundação se comprometeu a acabar com os anúncios de produtos --e manter apenas comerciais institucionais-- durante as 12 horas de programação infantil.

 

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