08/10/2000
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14h40
da Folha Online
Leia a seguir alguns trechos do primeiro capítulo do livro "O Demônio e a Srta. Prym", do escritor e "mago" Paulo Coelho, lançado no último dia 6.
Para obter o primeiro capítulo completo, você pode acessar o site do escritor, http://www.paulocoelho.com.br.
"(...)
O homem levou-a até o outro esconderijo. De novo ela tornou a escavar, e desta vez ficou surpresa com a quantidade de ouro diante dos seus olhos.
- Também é ouro. E também é meu - disse o estrangeiro.
Chantal preparava-se para cobrir de novo o ouro com terra, quando ele pediu para que deixasse o buraco como estava. Sentou-se numa das pedras, acendeu um cigarro, e ficou olhando o horizonte.
- Por que quis me mostrar isso?
Ele não disse nada.
- Quem é o senhor, afinal? E o que faz aqui? Por que me mostrou isso, sabendo que eu posso contar a todos o que está escondido nesta montanha?
- Muitas perguntas ao mesmo tempo - respondeu o estrangeiro, mantendo os olhos fixos na montanha, como se ignorasse sua presença ali. - Quanto a contar aos outros, é justamente isso que quero que faça.
- O senhor prometeu que, se eu viesse, me responderia qualquer coisa.
- Em primeiro lugar, não acredite em promessas. O mundo está cheio delas: riqueza, salvação eterna, amor infinito. Algumas pessoas se julgam capazes de prometer tudo, outras aceitam qualquer coisa que lhes garanta dias melhores como, aliás, deve ser o seu caso. Os que prometem e não cumprem, terminam impotentes e frustrados; o mesmo se passa com os que se agarram às promessas feitas.
(...)
A moça encarou o estrangeiro.
- Quanto a estas dez outras barras, elas são suficientes para fazer com que todos os habitantes do vilarejo jamais precisem trabalhar o resto de suas vidas - continuou ele. - Não pedi que as cobrisse de terra, porque vou mudá-las para um lugar que só eu saberei onde está. Quero que, quando voltar à cidade, diga que as viu, e que estou disposto a entregá-las aos habitantes de Viscos, se eles fizerem aquilo que jamais sonharam fazer.
- Como por exemplo?
- Não se trata de um exemplo, mas de algo concreto: quero que infrinjam o mandamento "não matarás".
- O quê?
A pergunta tinha saído quase como um grito.
- Isso mesmo que você acabou de ouvir. Quero que cometam um crime.
O estrangeiro notou que o corpo da moça ficara rígido, e que ela podia partir a qualquer momento, sem ouvir o resto da história. Precisava dizer rapidamente tudo que planejara.
(...)"
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Reprodução ![]() O site do escritor |
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Para obter o primeiro capítulo completo, você pode acessar o site do escritor, http://www.paulocoelho.com.br.
"(...)
O homem levou-a até o outro esconderijo. De novo ela tornou a escavar, e desta vez ficou surpresa com a quantidade de ouro diante dos seus olhos.
- Também é ouro. E também é meu - disse o estrangeiro.
Chantal preparava-se para cobrir de novo o ouro com terra, quando ele pediu para que deixasse o buraco como estava. Sentou-se numa das pedras, acendeu um cigarro, e ficou olhando o horizonte.
- Por que quis me mostrar isso?
Ele não disse nada.
- Quem é o senhor, afinal? E o que faz aqui? Por que me mostrou isso, sabendo que eu posso contar a todos o que está escondido nesta montanha?
- Muitas perguntas ao mesmo tempo - respondeu o estrangeiro, mantendo os olhos fixos na montanha, como se ignorasse sua presença ali. - Quanto a contar aos outros, é justamente isso que quero que faça.
- O senhor prometeu que, se eu viesse, me responderia qualquer coisa.
- Em primeiro lugar, não acredite em promessas. O mundo está cheio delas: riqueza, salvação eterna, amor infinito. Algumas pessoas se julgam capazes de prometer tudo, outras aceitam qualquer coisa que lhes garanta dias melhores como, aliás, deve ser o seu caso. Os que prometem e não cumprem, terminam impotentes e frustrados; o mesmo se passa com os que se agarram às promessas feitas.
(...)
A moça encarou o estrangeiro.
- Quanto a estas dez outras barras, elas são suficientes para fazer com que todos os habitantes do vilarejo jamais precisem trabalhar o resto de suas vidas - continuou ele. - Não pedi que as cobrisse de terra, porque vou mudá-las para um lugar que só eu saberei onde está. Quero que, quando voltar à cidade, diga que as viu, e que estou disposto a entregá-las aos habitantes de Viscos, se eles fizerem aquilo que jamais sonharam fazer.
- Como por exemplo?
- Não se trata de um exemplo, mas de algo concreto: quero que infrinjam o mandamento "não matarás".
- O quê?
A pergunta tinha saído quase como um grito.
- Isso mesmo que você acabou de ouvir. Quero que cometam um crime.
O estrangeiro notou que o corpo da moça ficara rígido, e que ela podia partir a qualquer momento, sem ouvir o resto da história. Precisava dizer rapidamente tudo que planejara.
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