Ilustrada
05/01/2009 - 08h36

Roteirista de "Juno" narra aventuras eróticas em livro

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FERNANDA EZABELLA
colaboração para a Folha de S.Paulo

Esqueça a meiguice de "Juno" e prepare-se para o submundo da pornografia. Diablo Cody fez sua estreia no cinema com o roteiro do filme juvenil, mas escreveu "Minha Vida de Stripper" antes de ganhar o Oscar, livro que chegou recentemente às lojas brasileiras.

Matt Sayles/AP
Sobre o ano em que passou tirando a roupa em clubes dos EUA, escritora diz que queria se "horrorizar"
Autora conta em livro sobre o ano em que passou tirando a roupa em clubes dos EUA

A história conta o ano em que a autora resolveu fazer dinheiro tirando a roupa e se esfregando em homens barrigudos em bares de Minneapolis, nos Estados Unidos.

Brook Busey, seu nome verdadeiro, é de Chicago, cidade que largou para ir morar com o namorado que conheceu num site de música. Entediada com o trabalho na agência publicitária e sem ideias para postar no blog, Cody se inscreveu numa "noite amadora" de um clube de strip-tease e se viciou. Ela passou por meia dúzia de clubes, foi atendente de telessexo e trabalhou num peepshow de um sexshop de três andares.

"Eu passara toda a minha vida sufocada pela normalidade, pela decência e por sanduíches sem fritura. Para mim, o strip era um jeito diferente de fugir daquilo tudo", escreve Cody, 30. "Aos 24 anos, era a minha última chance de rejeitar algo e me tornar ninguém. Queria me horrorizar. Missão cumprida."

Novos trabalhos

Curiosamente, ela cita o Brasil quatro vezes, como no capítulo "Girl from Ipanema", ao conhecer uma stripper brasileira. Depois, vê um palhaço brasileiro durante suas férias. Nas outras, o país surge como sinônimo de lugar distante. "Agora que eu havia estado lá dentro [...], o universo do strip não era mais tão distante quanto o Brasil (apesar de esses dois mundos terem em comum o mesmo estilo de depilação)."

Ao contrário dos depoimentos rasos de prostitutas que resolvem fazer um livro com histórias calientes, Cody vai muito além. São descrições de uma mulher infiltrada, repletas de bom humor e referências pop, principalmente da música. "Me sinto mais nua escrevendo do que quando fazia stripper", disse Cody, em algumas entrevistas, após o Oscar, quando o livro --publicado em 2005-- virou best-seller.

"Quando eu tirava a roupa me sentia neutra emocionalmente, não era um evento importante na minha vida. Mas agora, quando vejo "Juno", tem partes que nem consigo olhar de tão pessoais que são." O humor ácido de Diablo não deixa de lembrar a protagonista de "Juno", de 16 anos, que engravida de seu melhor amigo e decide encarar o barrigão para doar o bebê a um casal.

Pensando bem, se "Juno" ganhasse sequência, talvez a jovem também ficasse entediada da vida e fosse procurar os bares escuros de Minneapolis. Recentemente, ela escreveu o seriado "The United States of Tara" e a comédia de terror "Jennifer's Body", com Megan Fox no papel de garota devoradora de homens.

MINHA VIDA DE STRIPPER
Autor: Diablo Cody
Tradução: Ana Carolina B. Ribeiro
Editora: Nova Fronteira
Quanto: R$ 34,90 (212 págs.)

 

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