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05/01/2009 - 12h23

Vinte anos da queda do Muro ressuscitam rock da Alemanha Oriental

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GEMMA CASADEVALL
da Efe, em Berlim

As bandas mais lendárias do rock da antiga Alemanha Oriental, Puhdys e Renft, ressuscitaram no começo de 2009 --ano de comemoração do 20º aniversário da queda do Muro-- dispostos a demonstrar que são tão inconfundíveis como os Rolling Stones.

Divulgação
Banda alemã Puhdys volta no ano do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim
Banda alemã Puhdys volta no ano do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim

Dieter "Maschine" Birr, 64, e alma dos Pudhys, encheu com 15 mil fãs o moderno pavilhão 02World para celebrar o 40º aniversário de banda, a mais famosa da Alemanha Oriental.

O grupo nasceu em novembro de 1969, motivo pelo qual seu aniversário real coincidirá com o da queda do Muro, em 9 de novembro de 1989.

Os Puhdys transformarão todo o ano em uma festa, que começou no primeiro dia de janeiro com o show no 02World e que será estendido por uma turnê pelo país para promover 30º álbum do grupo.

O lugar escolhido para a volta não poderia te sido melhor: o 02World foi inaugurado há pouco meses diante da East Side Gallery, o trecho mais longo do muro ainda de pé, com 1,3 quilômetro preenchido por grafite, incluído o célebre "Beijo a Parafuso" entre o manda-chuva da antiga Alemanha Oriental, Erich Honecker, e o soviético Leonid Bresnev.

No ginásio foram agitadas algumas bandeiras da Alemanha Oriental em uma mistura de antigos moradores do leste alemão com novas gerações.

Os Puhdys se dissolveram em 1989 para retornar três anos depois, notando uma forte procura pelo "rock do leste".

Dezessete anos depois seguem como representantes de uma "Ostalgia" --trocadilho para "nostalgia do leste"-- apolítica e ligada aos sinais de identidade da dissolvida Alemanha Oriental.

Renft

Enquanto a "Máquina" Birr tocava seu rock jurássico, em outro lugar da cidade a banda que ressuscitava era o "Renft".

Trata-se de um grupo que em seus tempos praticou o rock "contra o sistema" em versão alemã oriental, e que reapareceu por ocasião do 50º aniversário de seu líder e fundador, Klaus Renft.

A reaparição do grupo tinha sido anunciada como "subversiva", já que tanto Renft como Tom Steine Scherben causaram furor em seus tempos nos ambientes da esquerda radical.

A música mais conhecida do grupo é "Macht Kaputt, Was Euch Kaputt Macht", considerada o hino não-oficial da esquerda radical e da dissolvida organização terrorista RAF (Fração do Exército Vermelho, na sigla em alemão).

O concerto, assistido por cerca de 700 pessoas, contou com convidados como Arnold Funke, conhecido como Dagobert, que no início dos anos 90 pôs em xeque a Polícia alemã com engenhosas operações de extorsão e cobranças de recompensa até cair em uma emboscada policial.

O concerto dos Puhdys terminou entre milhares de velas acesas, com muita emoção e alguma lágrima nostálgica, enquanto o dos colegas subversivos foi encerrado sem a complacência da Polícia, que foi acionada a pedido da vizinhança, aborrecida com a explosão de decibéis da banda.

 

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