Série "Maysa" subestima laços da cantora com Espírito Santo
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
A principal crítica do primeiro biógrafo da cantora Maysa, José Roberto Neves, à minissérie global "Maysa - Quando Fala o Coração", que termina na próxima sexta-feira (16), é a de que sua família de origem recebe muito pouco tratamento da obra, dirigida pelo filho da intérprete e compositora, Jayme Monjardim.
Outro autor de um livro sobre a cantora, Eduardo Logullo, ressaltou que André Matarazzo ganha um peso um pouco demasiado na história.
| Arquivo da Família |
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| Foto está no livro de Neves e mostra Maysa segurando o filho ao lado do irmão Cibidinho (com o urso escuro) e o primo Jayme |
"Não está muito claro para o público o peso dessa família para o Estado dela", afirmou Neves, que escreveu "Maysa" (independente, 202 págs., R$ 35), publicado em 2005 e relançado agora. "Aos 15 anos, por exemplo, ela foi rainha de um bloco de Carnaval em Vitória, teve diversas passagens de sua vida no Espírito Santo", disse ainda o jornalista, que faz a ressalva de que a série de TV, cujo roteiro é de Manoel Carlos, certamente trabalhou os episódios que achava mais interessante.
"Não é uma cinebiografia, mas acho que em termos de uma, isso não deveria passar em branco", disse ainda Neves, de Vitória.
Logullo, que escreveu "Meu Mundo Caiu - A Bossa e a Fossa de Maysa" (editora Novo Século, 248 págs., R$ 29,90), afirmou que o destaque dado ao papel de Matarazzo pode ser uma influência ao "olhar de filho".
| Reprodução |
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| Maysa Monjardim nasceu em uma família tradicional do Estado do Espírito Santo |
Logullo, que não faz uma biografia no strictu sensu, mas mescla fatos históricos com fictícios em seu livro, disse que viu momentos da série que se assemelhavam a cenas descritas por ele. "Maysa é um personagem, ela dá a possibilidade para que isso aconteça, ela é a primeira estrela de TV do Brasil", afirmou.
Ambos os autores ressaltaram o figurino e a caracterização da série. "Deslizes sempre existem, mas ela está ótima", afirmou Logullo, que destacou o trabalho de Larissa Maciel.
A atriz, praticamente uma desconhecida na TV, "poderia testar mais segura", segundo Neves. "Mas ela está muito bem caracterizada, especialmente na fase madura de Maysa", afirmou o biógrafo do Espírito Santo.
Maysas
Em relação a quem atualmente seria a Maysa do Brasil, Logullo afirmou que seria uma espécie de Ivete Sangalo com Maria Bethânia. "Em termos mercadológicos, devido ao imenso sucesso dela na época, ela seria um produto com a força de Ivete Sangalo e Bethânia, juntas", afirmou o autor.
Já Neves não conseguiu lembrar de um nome da atualidade que pudesse ter a força de Maysa. Para ele, Ângela Rô Rô, que foi comparada na juventude a Maysa, e Cássia Eller são os nomes mais próximos a representar o que foi Maysa.
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