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10/01/2009 - 11h09

Arrigo Barnabé relê disco em shows

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IRINEU FRANCO PERPETUO
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Arrigo Barnabé é sinônimo de "Clara Crocodilo" e vem relendo esse disco fetiche da vanguarda paulistana dos anos 80 de diversas maneiras. Neste final de semana, no Sesc Pompeia, ele lança "Arrigo Barnabé e Paulo Braga, Ao Vivo, Em Porto", CD que traz uma versão pianística das canções do LP.

Ana Ottoni/Folha Imagem
Músico Arrigo Barnabé fará shows neste fim de semana no Sesc Pompeia, em São Paulo
Músico Arrigo Barnabé fará shows neste fim de semana no Sesc Pompeia, em São Paulo

Gravado em Portugal, em 2004, o disco reúne os principais temas de "Clara" ("Office Boy", "Sabor de Veneno" e "Antro Sujo", além da faixa-título) em arranjo para dois pianos, com algumas intervenções vocais de Barnabé e Braga, professor de piano do Conservatório de Tatuí e parceiro musical do compositor há duas décadas.

"No Sesc, vamos ter à nossa disposição dois pianos acústicos, o que é bem bacana", conta Arrigo. "O repertório do show é basicamente o mesmo do CD, mas, como tem muito improviso, a gente começa sem saber direito o que vai acontecer."

Ele frisa que as improvisações do espetáculo não têm caráter jazzístico. "Improvisamos em cima de padrões e daí, a cada apresentação, algumas coisas vão sendo alongadas, outras diminuídas, e por aí vai", explica. "As mudanças, às vezes, são meio telepáticas: sem saber, ou sem ter combinado, quando a gente dá por si, está junto, no mesmo lugar."

Transformar no branco e preto das teclas do piano as diversas cores que, em "Clara Crocodilo", eram interpretadas pela Banda Sabor de Veneno, foi uma tarefa relativamente simples para o autor.

"Eu componho usando o piano, então, de algum jeito, as frases musicais das minhas obras já têm o molde do instrumento", afirma. "A coisa dá muito trabalho nos ensaios, porque a música é bastante complexa."

Porque, à parte os elementos teatrais, derivados do universo dos quadrinhos, "Clara Crocodilo" fez história por incorporar, à música popular brasileira, o dodecafonismo, sistema de composição erudita de vanguarda desenvolvido nos anos 20 pelo austríaco Arnold Schönberg (1874-1951).

Na versão para dois pianos, os temas de "Clara" soam ainda mais ásperos, percussivos e radicais, colocando em relevo as complexidades rítmicas e as sonoridades agressivas que causaram furor nos anos 80.

Um mundo que pouco tem a ver com o trabalho atual do compositor: a trilha sonora do filme "Família Vende Tudo", de Alain Fresnot.

"É uma comédia, dentro de um universo que é bem brega --basta dizer que muitas canções do filme foram escritas pelo Latino", diz. "Então, a minha música acaba tendo um caráter mais convencional."

Arrigo Barnabé e Paulo Braga
Quando: hoje, às 21h; amanhã, às 18h
Onde: Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, tel. 3871-7700)
Quanto: R$ 4 a R$ 16
Classificação indicativa: livre

 

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