Arrigo Barnabé relê disco em shows
IRINEU FRANCO PERPETUO
Colaboração para a Folha de S.Paulo
Arrigo Barnabé é sinônimo de "Clara Crocodilo" e vem relendo esse disco fetiche da vanguarda paulistana dos anos 80 de diversas maneiras. Neste final de semana, no Sesc Pompeia, ele lança "Arrigo Barnabé e Paulo Braga, Ao Vivo, Em Porto", CD que traz uma versão pianística das canções do LP.
| Ana Ottoni/Folha Imagem |
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| Músico Arrigo Barnabé fará shows neste fim de semana no Sesc Pompeia, em São Paulo |
Gravado em Portugal, em 2004, o disco reúne os principais temas de "Clara" ("Office Boy", "Sabor de Veneno" e "Antro Sujo", além da faixa-título) em arranjo para dois pianos, com algumas intervenções vocais de Barnabé e Braga, professor de piano do Conservatório de Tatuí e parceiro musical do compositor há duas décadas.
"No Sesc, vamos ter à nossa disposição dois pianos acústicos, o que é bem bacana", conta Arrigo. "O repertório do show é basicamente o mesmo do CD, mas, como tem muito improviso, a gente começa sem saber direito o que vai acontecer."
Ele frisa que as improvisações do espetáculo não têm caráter jazzístico. "Improvisamos em cima de padrões e daí, a cada apresentação, algumas coisas vão sendo alongadas, outras diminuídas, e por aí vai", explica. "As mudanças, às vezes, são meio telepáticas: sem saber, ou sem ter combinado, quando a gente dá por si, está junto, no mesmo lugar."
Transformar no branco e preto das teclas do piano as diversas cores que, em "Clara Crocodilo", eram interpretadas pela Banda Sabor de Veneno, foi uma tarefa relativamente simples para o autor.
"Eu componho usando o piano, então, de algum jeito, as frases musicais das minhas obras já têm o molde do instrumento", afirma. "A coisa dá muito trabalho nos ensaios, porque a música é bastante complexa."
Porque, à parte os elementos teatrais, derivados do universo dos quadrinhos, "Clara Crocodilo" fez história por incorporar, à música popular brasileira, o dodecafonismo, sistema de composição erudita de vanguarda desenvolvido nos anos 20 pelo austríaco Arnold Schönberg (1874-1951).
Na versão para dois pianos, os temas de "Clara" soam ainda mais ásperos, percussivos e radicais, colocando em relevo as complexidades rítmicas e as sonoridades agressivas que causaram furor nos anos 80.
Um mundo que pouco tem a ver com o trabalho atual do compositor: a trilha sonora do filme "Família Vende Tudo", de Alain Fresnot.
"É uma comédia, dentro de um universo que é bem brega --basta dizer que muitas canções do filme foram escritas pelo Latino", diz. "Então, a minha música acaba tendo um caráter mais convencional."
Arrigo Barnabé e Paulo Braga
Quando: hoje, às 21h; amanhã, às 18h
Onde: Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, tel. 3871-7700)
Quanto: R$ 4 a R$ 16
Classificação indicativa: livre
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