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Ilustrada
19/01/2009 - 08h25

Americanos adaptam arte de rua para exposição dentro de galeria

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SILAS MARTÍ
da Folha de S.Paulo

Está mais fina, talvez mais frívola, a chamada arte de rua. Dos quatro norte-americanos com trabalhos em cartaz na galeria paulistana Choque Cultural, um faz lustres de gesso e vidro inspirados no surrealismo de Salvador Dalí e outra ilustra pôsteres para bandas de rock.

Divulgação
Pintura da ilustradora de quadrinhos Tara McPherson, que está em exposição em SP
Pintura da ilustradora de quadrinhos Tara McPherson, que está em exposição em SP

Adam Wallacavage, o dos lustres, Tara McPherson, das ilustrações, Jim Houser e Doze Green são representados pela mesma galeria do grafiteiro-fenômeno Shepard Fairey, aquele que fez o pôster de Barack Obama e virou o principal nome da Jonathan LeVine, casa de Nova York aqui em sua segunda excursão a São Paulo.

"É mais difícil parecer autêntico agora, porque já tem muita gente fazendo isso", diz Houser, ex-skatista que começou como assistente de Fairey em Rhode Island, na costa leste dos EUA. "Quando comecei, não havia uma cena, agora é enorme, e a competição inibe a espontaneidade do artista."

De fato, Houser repete nas paredes das galerias seus padrões coloridos e quadriculados, com mensagens inscritas dentro dos retângulos, uma poesia concreta domesticada.

"Expor em galerias muda muito as coisas, mas eu tento não deixar que cada peça fique preciosa demais", admite McPherson, garota punk de Los Angeles acostumada a fazer personagens fantásticos em cores gritantes. "Tento manter a liberdade e o espaço para a experimentação na pintura."

Depois de acompanhar grafiteiros e outros artistas de rua como fotógrafo, Wallacavage também virou artista, ou decorador --ele mesmo não sabe bem se definir. Comprou uma casa na Filadélfia, onde Fairey e Houser também se radicaram por um tempo, e transformou sala e quartos num museu vivo, com os mesmos lustres psicodélicos que mostra aqui.

"A única conexão com arte de rua que eu tenho hoje é que uso a mesma tinta spray deles", confessa Wallacavage. "Alguns deles são casca-grossa, mas no fundo são caras legais."

Adam Wallace, Doze Green, Jim Houser e Tara McPherson
Quando: de seg. a sáb., das 12h às 19h; até 27/2.
Onde: Choque Cultural (r. João Moura, 997, tel. 3062-4051).
Quanto: entrada franca.

 

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