Reinaldo Lourenço busca luxo perdido no quarto dia da SPFW
ALCINO LEITE NETO
Editor de Moda
VIVIAN WHITEMAN
da Folha de S.Paulo
Há quem não abra mão do luxo, mesmo em tempos de crise. É o caso de Reinaldo Lourenço, estilista que abriu ontem o quarto dia da São Paulo Fashion Week, com um desfile muito sofisticado e ornamental, inspirado na arte déco.
| 21.jan.2009/Alexandre Schneider/Folha Imagem |
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| Look outono-inverno da Reinaldo Lourenço, no quarto dia da SPFW |
O início do desfile trouxe o tema das treliças, que remetia à última coleção de verão de Reinaldo e se desdobrou em uma sequência de looks com recortes e patchworks geométricos. O trabalho de geometria evoluiu para modelos em construções rígidas, que se destacavam do corpo, tridimensionais.
As franjas e os drapeados dos vestidos dos anos 20 apareceram em versões renovadas. Para reproduzir as franjinhas, Reinaldo utilizou material vinílico. Nas laterais dos vestidos, enfileirou tiras de tecido espaçadas, criando uma espécie de drapeado arquitetônico, com movimento charmoso.
A estrela da coleção foi o brilho. Especialmente os tecidos em tons de prata e bronze e as cascatas de plaquetas de organza metalizadas, que apareceram como decoração e como uma espécie de armadura. Vale destacar o acabamento impecável destas peças.
Os sapatos tinham escamas prateadas inspiradas no topo do Chrysler Building, uma das obras déco mais célebres.
| 21.jan.2009/Alexandre Schneider/Folha Imagem |
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| Desfile da Reinaldo Lourenço, que aconteceu na FAAP |
Interessante notar a escolha pelo tema da arte déco. O movimento, que teve seu auge após a crise de 1929, foi uma forma de manter a ostentação de prédios e objetos, usando bases simples cobertas por quilos de ornamentos --uma "máscara" de riqueza disfarçando o estado da economia. De certo modo, Reinaldo vai na mesma trilha.
A Ellus realizou um movimento contrário. Deixou de lado os delírios das últimas estações, simplificou, voltou ao básico, que é o forte da grife.
A linha de jeans é a melhor desta temporada. O restante são camisas xadrezes, ótimas jaquetas, casacos básicos, tudo usável e pronto para entrar nas lojas. A inspiração da coleção são os uniformes de trabalho, ou seja, um tema que tem relação direta com as origens do jeans. A top inglesa Agyness Deyn desfilou para a grife, sem causar o frisson esperado.
De um lado, o luxo exclusivo. De outro, a volta ao item mais básico. Talvez seja esse um dos muitos paradoxos que a moda enfrenta atualmente.
Reinaldo Lorenço
Avaliação: Bravo!
Ellus
Avaliação: Sucesso
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