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Ilustrada
23/01/2009 - 11h01

Grife Maria Bonita expande os horizontes da moda brasileira

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ALCINO LEITE NETO
VIVIAN WHITEMAN
da Folha de S.Paulo

Depois de um verão cheio de mar, na onda dos jangadeiros e de Caymmi, a Maria Bonita caiu na estrada com o circo para criar sua coleção de inverno, que abriu ontem o quinto dia da SPFW.

Alexandre Schneider/Folha Imagem
Desfile da Maria Bonita na SPFW; grife inova coleção de inverno com inspiração circense
Desfile da Maria Bonita na SPFW; grife inova coleção de inverno com inspiração circense

A Maria Bonita foi, durante muito tempo, vista como uma grife dada ao minimalismo sóbrio e a uma certa afetação artística. Tudo isso mudou nas mãos da habilidosa estilista Danielle Jensen, como vem confirmar a nova coleção.

Danielle se inspirou no sensacional Circo Nerino, que viajou o Brasil entre 1913 e 1964. Trata-se de um clássico da cultura popular brasileira, representante de uma tradição de artistas nômades que muito têm a ensinar sobre educação e arte.

No processo de resgate da história do circo brasileiro, a estilista tomou como foco o palhaço. Calças agigantadas, algumas delas tão grandes que se transformam em macacões. Camisas, paletós e bermudas enormes que se tornam vestidos. A gravata torta vira gola, e a estampa de bolas gigantes aparece como tecido vazado, como num raio-X. Suspensórios que seguram calças de mentirinha: são só um desenho sobre mais um macacão. A piada está na moda ou a moda é uma piada?

Nada de cores vivas nesse circo invernal da Maria Bonita. Pele, cinzas, marrom e azul-marinho, feito uma foto antiga ou um palhaço visto por dentro --há, por trás da careta risonha, algo de melancólico.

O desfile anterior da Maria Bonita foi muito impactante, difícil de superar. Mas a grife manteve o alto nível na nova coleção, inteligente e doce. Enquanto várias marcas continuam presas em ciclos autorreferentes, numa reciclagem de shapes e tendências passadas, Danielle expande horizontes.

 

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