Nomadismo une jovens artistas em mostra no CCBB
MARIO GIOIA
da Folha de S.Paulo
Um emaranhado de canos dourados percorre as paredes do histórico prédio do Centro Cultural Banco do Brasil como um invasor silencioso. "Pelos Tubos", intervenção da paulistana Lia Chaia, 30, é apenas uma das subversões da exposição "Nova Arte Nova", que é aberta hoje no centro, apresentando 80 trabalhos de 63 novos artistas, com uma média de idade de 30 anos.
Entre os mais conhecidos, estão a espanhola radicada em Belo Horizonte Sara Ramo e a paulista Renata Lucas, ambas confirmadas na próxima edição da Bienal de Veneza, um dos mais importantes eventos de arte do mundo, que começa em junho. Há também nomes constantes em diversas exposições coletivas, como os mineiros Thiago Rocha Pitta, Laura Belém e Cinthia Marcelle.
Versão enxuta de uma das mais elogiadas mostras de 2008 no Rio (leia mais ao lado), "Nova Arte Nova" tem curadoria do crítico e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Paulo Venancio Filho, que quis assinar um panorama generoso e pouco estanque da produção de jovens artistas nacionais.
"Tentei não hierarquizar obras na exposição, não compartimentá-las. Ofereci um grande espaço a produções das mais heterogêneas desses novos nomes", explica ele. "E acho que é um trunfo não haver uma linguagem que se destaque mais. Há pinturas, instalações, vídeos e esculturas, entre outras coisas."
Mas, dentro de um panorama tão diverso, haveria algumas questões comuns entre eles? "Nessa mostra, evito usar o nome geração, que carrega um peso conceitual grande. Vejo em comum em todos os artistas um nomadismo forte, eles lidam o tempo todo com o deslocamento", afirma o curador. "E, mesmo sendo um panorama nacional, não há mais espaço para os regionalismos como conhecíamos antes. Essas obras poderiam ser expostas em qualquer lugar do mundo sem ser facilmente identificáveis como feitas no Brasil."
Assim, Venancio Filho confirma a inserção internacional dos artistas brasileiros, cada vez com menos idade, no circuito internacional das artes. Boa parte dos nomes presentes em "Nova Arte Nova" estudou, expôs ou fez residências no exterior. "Há outra característica interessante neles que é a forte experimentação, uma herança dos neoconcretos. E já há novos modelos para suas obras, como Cildo Meireles, Waltercio Caldas, Nuno Ramos."
Trabalhos específicos
A pintura de Lia Chaia foi uma das intervenções específicas da exposição em São Paulo. "É uma versão nova de obra que já tinha feito na galeria Vermelho. Mas os elementos do prédio histórico a mudaram, como esse tom dourado que se espalha pelo espaço", diz ela.
Outra novidade é a pintura de Bruno Dunley, 24, que dialoga com as telas do carioca Bruno Miguel, 27. "Ficou muito legal esse elo de cores e linguagem entre elas", conta Dunley, fluminense radicado em SP que acaba de entrar para a galeria Marilia Razuk.
Os espaços exíguos do prédio fizeram com que algumas obras ganhassem nova leitura, como a instalação sonora de Paulo Vivacqua e o belo relevo cromático de Estela Sokol.
"A percepção delas aumentou", diz o curador, que deve ser elogiado por criar ligações insuspeitas entre um objeto de grandes proporções de Henrique Oliveira, as madeiras suspensas de Marcone Moreira e as cores brilhantes de uma pintura de Tatiana Blass.
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