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26/02/2005 - 09h23

Augusto Cury é o escritor brasileiro de maior sucesso comercial hoje

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CASSIANO ELEK MACHADO
da
Folha de S.Paulo


Se alguém se desse ao trabalho insano de enfileirar os livros que ele já vendeu, poderia partir de São Paulo, atravessar estradas e estradas, dez pedágios e quase chegar à porta da casa do autor, a 400 km da capital.

No final da grande fileira de mais de 1,5 milhão de exemplares, o leitor encontraria o brasileiro que atualmente mais vende livros no país. Não seriam as conhecidas feições de Paulo Coelho que veria ao término desse estranho "Caminho de Santiago". Em uma ampla casa no meio do mato se depararia com um "desconhecido" chamado Augusto Cury.

Se você não é um dos consumidores dos livros desse psiquiatra, provavelmente só pode ter visto seu nome em um lugar: as listas de livros mais vendidos.

Pouco amigo de câmeras, da imprensa, da publicidade, o escritor de livros como "Seja Líder de Si Mesmo" escalou os "top tens" com uma discrição sem muitos precedentes.

Dr. Cury começou seu alpinismo editorial na cidadezinha em que nasceu e onde vive atualmente. Foi em Colina, cidade próxima da capital nacional do rodeio, Barretos, que publicou, por conta própria, seus primeiros best-sellers. Usando o selo do instituto que dirige ali mesmo, Academia da Inteligência, começou a lançar a série "Análise da Inteligência de Cristo", que teve cinco volumes.

Os livros chamaram a atenção de um distribuidor de livros do interior de São Paulo, que cantou a bola para os irmãos Marcos e Tomas Pereira, donos da editora carioca Sextante.

Em 2002, a dupla colocou na prensa o livrinho "Você É Insubstituível", com a foto de um pôr-do-sol e as frases "Este livro revela a sua biografia" e "Sua auto-estima nunca mais será a mesma..." estampadas sobre um fundo amarelo-claro.

As histórias de Cury e da Sextante nunca mais "seriam as mesmas". Desde então, só por essa editora --a mesma que publicou "O Código Da Vinci" (leia abaixo)-- lançou seis títulos e vendeu mais de 900 mil exemplares.
Hoje ele mantém um ritmo nas caixas registradoras de 50 mil livros por mês --todos os 17 mil cidadãos de Colina precisariam comprar três exemplares a cada 30 dias para sustentar tal pique.

Os números reluzentes de dr. Cury falam sozinhos. O psiquiatra não é de muito diálogo com jornalistas. Depois de diversas trocas de e-mails e telefonemas, na terça-feira ele abriu uma exceção.

Em uma manhã de calor estimável em algum lugar acima dos 40ºC, ele recebeu a Folha para uma conversa na espaçosa e iluminada sala de sua casa.

Iluminado ele diz que não foi sempre e que tudo aconteceu com muito sofrimento. No seu livro mais recente e atual grande sucesso de vendas, "Nunca Desista de Seus Sonhos", Cury dá pistas desse seu "calvário".

Ele anuncia na introdução que fará no livro uma "análise aberta, livre e crítica sobre o funcionamento da mente de quatro personagens que construíram belíssimos sonhos e que fizeram outros sonharem".
O primeiro personagem é Jesus Cristo, e a ele seguem o trio Abraham Lincoln, Martin Luther King e... Augusto Cury.

Na história escrita de sua vida, conta desde sua angústia diante da morte por fome de um canário que teve na infância até a longa trajetória para publicar seu primeiro livro, "Inteligência Multifocal" (Cultrix, 1999), resumo de uma ampla teoria de mais de 3.000 páginas que diz ter desenvolvido sobre o funcionamento da inteligência do homem.

Ao conversar, com a voz firme de quem já fez inúmeras palestras por todo o país nos últimos anos, Cury segue no mesmo diapasão.

Conta ele que chegou a ter sucesso como psiquiatra nos anos 80 em São Paulo, mas que decidiu trocar seu consultório na avenida Paulista pela cidade natal para repensar sua angústia diante da incapacidade de realizar seus "sonhos de cientista".

"Inteligência Multifocal", o livro fruto de todo seu esforço intelectual, não teve, segundo ele mesmo, nenhum retorno comercial. "Eram assuntos muito complexos. Nem psicólogos, psiquiatras, nem filósofos conseguiam compreender, embora alguns cientistas diziam que estavam aplicando a teoria em teses de mestrado, doutorado e assim por diante", diz Cury. "Aí percebi que ou enterrava os meus sonhos ou socializava a ciência, democratizava o conhecimento. Eu resolvi então escrever livros mais simples."

Auto-ajuda é um termo que não agrada ao escritor. "No calor da segunda-feira, os livros publicados com esse rótulo não têm sustentabilidade, porque a vida é um grande rolo compressor. Nos meus livros procuro dar ferramentas psicológicas para que a pessoa seja autora da sua própria história, para que se realize com seus sonhos."

Ninguém pode dizer que Augusto Cury não siga à risca os seus próprios preceitos.

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