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05/02/2009 - 08h42

Em Berlim, José Padilha espera identificação de público com "Garapa"

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da Folha de S.Paulo

No Festival de Berlim, como no Brasil, "Tropa de Elite" polarizou opiniões. José Padilha, que agora volta a encarar a plateia alemã, com o documentário "Garapa", acha que desta vez o público estrangeiro tem mais proximidade com o tema do filme --a vida de famílias que enfrentam a fome no Brasil.

11.fev.2008/Hermann J. Knippertz/AP
Diretor José Padilha no Festival de Berlim 2008; agora é a vez do filme "Garapa"
Diretor José Padilha no Festival de Berlim 2008; agora é a vez do filme "Garapa"

"O problema da insegurança alimentar grave não é exclusivamente brasileiro. Ele afeta mais de 910 milhões em vários países. Neste sentido, 'Garapa' é diferente de 'Tropa de Elite', e o público de Berlim também tem envolvimento", diz.

Além de "Garapa", a mostra Panorama do Festival de Berlim terá o brasileiro "Vingança", de Paulo Pons, 34. Realizado com R$ 80 mil, foi exibido em 2008 no Festival de Gramado, no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, como ponta-de-lança da proposta do diretor de realizar filmes de baixíssimo orçamento e com a clara intenção de fazer sucesso comercial.

"Sempre achei que não é necessário se autodenominar artista ao fazer uma obra de arte. Adotei um discurso mais humilde. Era meu primeiro festival, e vínhamos com uma linha dura de um projeto de cinema que fosse preocupado com o público, mas o tempo todo em que fazia 'Vingança' eu tinha consciência de que era um bom trabalho de criação", diz Pons.

O longa ficou em cartaz por uma semana de novembro no Rio e em São Paulo, e foi visto por cerca de 2.000 pessoas --Pons diz agradecer à mostra alemã "a oportunidade de dar essa resposta ao Brasil". O filme trata de um crime sexual cometido contra uma jovem (Bárbara Borges) e da decisão dos homens de sua família de se vingarem, à revelia dela.

 

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