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Ilustrada
22/03/2009 - 11h52

Gafes, polêmicas e drama marcam trajetória de Jade Goody na TV

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colaboração para a Folha Online

A intensa cobertura sobre o câncer da britânica Jade Goody, 27, não foi nenhuma novidade para a britânica. Sua celebrização começou em 2002, quando foi convidada para participar da terceira edição do "Big Brother" no Reino Unido.

Jade morreu em casa, neste domingo, junto ao marido e seus dois filhos, de quatro e cinco anos, ambos de um casamento anterior.

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Desde o reality show, Goody, uma assistente de dentista, representante típica do inglês suburbano, simbolizou a ascensão uma pessoa sem talento à fama, sustentada por declarações polêmicas e um esforço quase ilimitado de autopromoção.

21.fev.2009/Chris Radburn/AP
Jade Goody participou de reality show na TV britânica; atriz sofria de câncer cervical
Jade Goody participou de reality show na TV britânica; atriz sofria de câncer cervical

Na mídia sensacionalista britânica, Goody chamou a atenção primeiro pelas constantes demonstrações de ignorância. Declarações absurdas não faltavam no reality show: chegou a perguntar se Rio de Janeiro era o nome de uma pessoa famosa, disse que Saddam Hussein era um boxeador e que a cidade de Cambridge ficava fora da Inglaterra.

O comportamento extravagante também fazia a diversão do público: em uma festa, chegou a dar cambalhotas nua e bêbada. Foi também a primeira pessoa a protagonizar cenas mais íntimas no "Big Brother" britânico.

Eliminada do programa, não faltaram oportunidades de aparição em tabloides, revistas e programas de fofocas sobre qualquer factoide que atraísse atenção ávida do público.

Em 2006, com apenas 25 anos, Goody publicou sua autobiografia, "Jade: My Autobiography", lançou um perfume com seu nome e ainda ganhou uma coluna na revista de celebridades "Now".

Racismo

Outro salto na carreira "artística" de Goody viria em 2007, em sua participação numa versão do "Big Brother" apenas com celebridades. Com outras colegas, Goody protagonizou uma polêmica por ridicularizar outra participante, Shilpa Shetty, uma estrela de Bollywood, por sua origem indiana.

Além de fazer piada sobre o sotaque da atriz, Goody disparava comentários de tom racista dizendo que Shilpa "provoca náuseas" e que ela "gostaria de ser branca".

As declarações chegaram a causar protestos na Índia a ponto de fazer o atual premiê britânico, Gordon Brown, à época ministro da Economia, condenar o programa.

Eliminada, Goody se desculpou pelos comentários, mas a repercussão renderia a ela outro convite, desta vez para o "Big Boss", versão do reality na Índia. Em 2008, ela lança um livro de receitas e uma segunda autobiografia, "Jade: Catch A Falling Star", em que narra sua polêmica participação no "Celebrity Big Brother".

Reuters
Jade Goody e Shilpa Shetty, que participaram do "Celebrity Big Brother" no Reino Unido
Jade Goody e Shilpa Shetty, que participaram do "Celebrity Big Brother" no Reino Unido

Doença

Na Índia, Goody se tornaria novamente o centro das atenções, mas agora com uma notícia trágica: nos primeiros dias de "Big Boss", ela recebe no ar a notícia de que tinha câncer cervical. Ela volta para o Reino Unido e seu estado de saúde passa a ser acompanhado semanalmente pelos tabloides locais.

A repercussão do caso faz aumentar o número de exames preventivos de câncer no Reino Unido.

Com o passar dos meses, a doença piorou até que, em fevereiro deste ano, o próprio assessor de Goody, Max Clifford, anunciou que o câncer se espalhou pelo organismo e que não havia chance de sobrevivência.

Em fase terminal, Goody decidiu se casar com o namorado, Jack Tweed, 21, jovem que conheceu no "Celebrity Big Brother" e acusado de roubo e agressão no Reino Unido.

Casamento

A cobertura do casamento com Tweed foi negociada e Goody vendeu por 700 mil libras (R$ 2,2 milhões) a exclusividade de fotos para a revista "OK!". Gravações em vídeo do casamento também foram negociadas por cerca de 200 mil libras (R$ 648 mil) com um canal de TV a cabo.

Bastante debilitada pelo avanço do câncer, Goody declarou na gravação que decidiu vender os direitos de imagem exclusivos para juntar dinheiro para seus filhos, Bobby e Freddie, frutos de um relacionamento anterior com um apresentador de TV.

Na gravação, Goody diz: "Passei toda minha vida adulta falando sobre minha vida. A única diferença é que estou falando sobre minha morte agora. Está tudo bem. Eu vivi em frente às câmeras. E talvez morra em diante delas".

Questionado sobre se a morte de Goody também seria negociada para uma cobertura exclusiva, o assessor Max Clifford negou esta possibilidade. No dia 11 de março, Goody se despediu das câmeras, quando deixou o hospital em Londres nitidamente debilitada pela doença para morrer em paz perto da família.

 

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