Filme sobre o Iron Maiden, "Flight 666", tem première no Rio
MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online
Após convencer a banda, os cineastas Sam Dunn e Scot McFadyen seguiram o Iron Maiden durante fevereiro e março do ano passado durante a primeira parte da turnê "Somewhere Back in Time". Os dois viajaram, inclusive para o Brasil, no avião do grupo, o Ed Force One, pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson.
A dupla de documentaristas volta agora ao Rio para a pré-estreia mundial do filme "Flight 666", neste sábado (14), mesmo dia em que o grupo retorna à capital fluminense para um show na Praça da Apoteose.
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| Sam Dunn, um dos diretores de "Flight 666", em frente ao avião do Iron Maiden; canadense dirige o documentário com Scot McFadyen |
Os dois são canadenses que cresceram apaixonados pelo heavy metal e que, chegando à vida adulta, resolveram produzir filmes sobre o estilo. Antes de "Flight 666", eles já haviam lançado dois outros documentários: "Metal: A Headbanger's Journey" (2005) e "Global Metal" (2008).
Será a oitava passagem da banda pelo Brasil --a primeira foi no Rock in Rio, em 1985, na turnê de seu quinto álbum de estúdio, "Powerslave".
E por quê essa relação tão especial da banda com o Brasil?
"O Maiden foi ao Brasil logo no início de sua carreira, e isso foi muito inteligente. Muitas bandas, nos anos 80, fugiram das turnês nesses países, mas o Maiden sempre fez shows nos países não tradicionais, e isso explica o porquê de eles fazerem tanto sucesso em lugares como o Brasil", opina Dunn em entrevista à Folha Online.
A postura dos fanáticos nos shows sul-americanos também faz a banda se superar, segundo os diretores.
"Algo que o Bruce [Dickinson, vocalista] diz no 'Flight 666' é que, quando o Maiden toca nas Américas Central e do Sul, o grupo precisa igualar a performance e a energia que o público passa a eles. Essa é uma maneira legal de perceber como são os fãs sul-americanos. Eles [Iron Maiden] percebem que precisam elevar o seu nível quando vão à essa parte do mundo."
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| Bruce Dickinson no cockpit do Ed Force One; vocalista diz que banda se supera para os shows no Brasil, segundo Sam Dunn |
Scot McFadyen, parceiro de Sam Dunn na criação, produção e direção dos documentários, concorda.
"Talvez seja um clichê dizer que os fãs sul-americanos são mais apaixonados. Mas quando falamos com o Rush, eles disseram que os fãs do Brasil criaram 'palavras' para "YYZ" [canção instrumental do trio] e cantaram junto com a música", comenta.
"Tietagem"
E como separar a idolatria da época de adolescentes, quando ambos ouviam discos como "The Number of the Beast" e "Powerslave", com o trabalho e a realização de um filme sobre o Iron Maiden? "Eu não conseguia", brinca Dunn, rindo.
"Temos muito respeito pelo Iron Maiden, e temos noção do impacto deles."
"Para mim, como um fã, o mais legal foi filmar atrás da bateria do Nicko McBrain, porque cresci tocando bateria no ar e sabia todas aquelas passagens, como qualquer fã do Iron Maiden", relembra Dunn.
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| Sexteto inglês Iron Maiden posa em frente ao Ed Force One, avião da banda; grupo retorna ao Brasil para shows em seis capitais |
McFadyen, por sua vez, prefere citar as partidas de tênis da dupla contra a banda. "Sam e eu jogamos contra o Steve [Harris, baixista] e o Adrian [Smith, guitarrista]. Precisaremos mandar fotos aos nossos amigos, porque não sei se eles vão acreditar. E temos um outro jogo marcado contra os dois, no Rio, nesta sexta-feira", conta.
McFadyen também cita os momentos difíceis na realização do filme, como acompanhar a turnê da banda, passando por diversos países.
"Ainda estamos nos recuperando. Foi a coisa mais difícil que já fizemos. A banda ainda tinha um tempo livre, mas a gente não. Em cerca de dois meses, filmamos aproximadamente 500 horas", relata.
Cena independente
Após três documentários sobre o estilo, a dupla analisa que o momento é favorável para a realização de filmes sobre heavy metal. Um documentário contando a vida do Anvil, obscura banda de metal canadense, foi exibido no festival de Sundance, o mais importante da cena independente nos Estados Unidos, em 2008.
"Isso acontece, em parte, porque o heavy metal já existe há 30 anos, e as pessoas percebem que a música não é uma moda e faz parte de nossa cultura", analisa Dunn.
"E os fãs que cresceram ouvindo metal nos anos 80 estão agora em uma posição com alguma influência, como jornalistas, cineastas, escritores, professores."
E quais os próximos projetos da dupla? "Vamos finalizar o trabalho com o Rush, e talvez faremos um documentário com o Slayer. E temos outros em mente", diz Dunn.
"Artistas como Rolling Stones, Neil Young e Bob Dylan têm diversos documentários apenas sobre eles. Acho que o fato de nos concentrarmos nesse nicho não significa que iremos desgastá-lo. Muitas bandas boas de rock nunca tiveram um filme sobre eles, e queremos fazer porque elas merecem", finaliza.
Assista abaixo ao trailer do filme.
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