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Ilustrada
22/03/2009 - 15h17

Doença da ex-Big Brother Jade Goody gerou comoção no Reino Unido

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colaboração para a Folha Online

À primeira vista, a cobertura da mídia britânica sobre a doença da ex-Big Brother Jade Goody pode parecer apenas mais um caso de celebrização banal.

Jade morreu em casa, neste domingo, ao lado do marido e seus dois filhos, de quatro e cinco anos, ambos de um casamento anterior.

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Chris Radburn/AP
Jade Goody sorri ao lado marido Jack Tweed, de 21 anos, em fevereiro último
Jade Goody sorri ao lado marido Jack Tweed, de 21 anos, em fevereiro último

O câncer de Goody, porém, conseguiu gerar comoção nacional e provocou mudança de comportamento na mídia britânica sobre a trajetória de Goody.

Quando surgiu na TV em 2002, ao participar do "Big Brother" britânico, Goody era um prato cheio para os tabloides. No programa, seus frequentes deslizes rendiam enormes manchetes aos jornais sensacionalistas, que não poupavam para ela adjetivos como vil, irresponsável, selvagem, cafona e suburbana, para ficar nos termos mais leves.

Por seis anos, a obstinada determinação de Goody em aparecer, seja nos próprios tabloides, em programas de fofoca na TV, DVDs (com dicas de ginástica ou receitas de cozinha) e até mesmo em duas autobiografias, fariam dela um alvo maior dos colunistas.

Mudança

Foi a partir de 2008 que a figura de Goody mudaria drasticamente, quando, no seu terceiro "Big Brother", Goody recebe no ar a notícia que tinha câncer cervical.

A primeira mudança notável foi na própria atitude dos tabloides que, acompanhando passo a passo o desenvolvimento da doença, passam a ser solidários.

Aos poucos, a própria imagem negativa de Goody passaria a ser desconstruída. Sua patente ignorância, no fundo, passou a ser vista como consequência involuntária de uma educação deficiente a que ela foi submetida.

Os comentários de tom racista que havia feito em outro "Big Brother" contra Shilpa Shetty, uma ascendente atriz de Bollywood, como é conhecida a indústria cinematográfica indiana, foram perdoados. Para os colunistas, o ato passou a ser interpretado como o desconforto infantil e aceitável de uma jovem gordinha diante de uma bonita atriz.

Vencedora

Em fevereiro deste ano, a decisão de Goody de se casar e fazer fortuna vendendo a cobertura exclusiva da cerimônia para uma revista e um canal de TV, sabendo que estava em fase terminal de vida, só fez aumentar sua admiração.

O que parecia algo para lá de bizarro, mais uma vez, beneficiou a imagem de Jade Goody. Seu próprio assessor explicou que os cerca de 1 milhão de libras (R$ 3,2 milhões) ganhos com o registro do casamento serviriam para bancar uma boa educação e futuro para os dois filhos de Goody, Bobby, 5, e Freddie, 4.

Nas colunas, o sucesso e a fortuna de Goody passam a representar uma mulher vencedora, sob a premissa de que seu passado pobre e humilhante inevitavelmente a levariam ao fracasso, não fosse sua força de espírito. O fato de ter resistido à campanha difamatória e ainda continuar presente na mídia só reforçaria a imagem de vitória.

Também a disposição de encarar a morte de forma pública revelaria um ato de coragem diante do inevitável.

A imagem de Goody seria finalmente sacramentada por respeitados analistas de jornais como "The Guadian" e "The Independent". Em seus comentários, Goody representa, sem medo das críticas, uma época, em que todo mundo, em blogs e twitters, clama por atenção.

 

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