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15/09/2005 - 12h04

Governo chinês toma medidas para limitar uso de dialetos

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da EFE

O Governo chinês tomou medidas para incentivar o uso do mandarim e limitar os dialetos, especialmente em Xangai, cidade onde o xangainês ou wu é bastante utilizado, informou a imprensa local.

Dessa forma, as autoridades de Xangai criarão patrulhas que percorrerão as ruas da cidade para corrigir as pessoas que falarem "um mandarim incorreto", e exigirá que funcionários de determinados serviços passem por testes de mandarim.

Será obrigatório também que esses empregados comecem a conversa em mandarim com a tradicional saudação "ni hao", em lugar do xangainês "nunhau". "Após o cumprimento, se o cliente desejar, poderá falar xangainês", diz a medida municipal, repercutida pela estatal Xinhua.

As normas, segundo a mesma fonte, são parte da campanha de imagem com vistas à Exposição Universal que a cidade, a maior da China, organizará em 2010.

O xangainês ou wu é falado por 87 milhões de pessoas em Xangai e nas proximidades, contra os 800 milhões que usam habitualmente o mandarim no resto da China.

O mandarim ou chinês padrão é de ensino obrigatório em todo o país, de 1,3 bilhão de habitantes, inclusive para as minorias étnicas.

Orgulho

O dialeto é utilizado com orgulho pelos habitantes de Xangai como forma de se diferenciar de seus grandes "rivais", os pequineses, que usam o mandarim, e é o idioma preferido para fechar negócios na cidade, principal centro comercial e financeiro do país. Embora seja praticamente incompreensível para um falante de mandarim não iniciado e sua sonoridade seja muito diferente, ele é considerado oficialmente um dialeto, e não um idioma, já que em sua forma escrita é exatamente igual ao chinês padrão.

A China proíbe seu uso em rádio, televisão e publicidade, assim como na escola, como acontece com outros dialetos, o que não evita que, em algumas ocasiões, pessoas entrevistadas pelos veículos de comunicação o utilizem em suas declarações (por isso, a maioria dos programas de televisão no país usa legendas).

Em 2004, a China proibiu a emissão de desenhos animados de "Tom e Jerry" em xangainês, a única atração que podia ser vista e ouvida no dialeto.

Outra medida dirigida a "preservar a pureza do mandarim" é a anunciada nesta quinta-feira pelo governo local de Kunming, cidade do sul da China, que decidiu proibir o uso de vocábulos que pareçam língua estrangeira em condomínios e outros lugares.

Com isso, quer acabar com a moda, comum atualmente em todo o país, de colocar nos novos condomínios nomes "exóticos" como Bairro de Paris ou Cidade Espanhola, usados pelas imobiliárias para atrair a crescente classe média.

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