Documentário sobre o Iron Maiden irradia paixão latina pela banda
MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online, no Rio
A decisão do Iron Maiden em realizar no Rio de Janeiro a premiére de "Flight 666", documentário sobre a banda produzido e dirigido pelos canadenses Sam Dunn e Scot McFadyen, pode ter causado estranheza, visto a origem britânica do grupo, mas tudo fica mais claro após a projeção do filme.
| Apu Gomes/Folha Imagem |
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| Iron Maiden lança documentário "Flight 666" que irradia paixão latina pela banda |
O sexteto e a dupla de cineastas vieram ao Cine Odeon para mostrar à imprensa, em primeira mão, o documentário produzido pelos canadenses. Fora do cinema, dezenas de fãs se aglomeravam em busca de uma pequena atenção de Bruce Dickinson (vocal), Steve Harris (baixo), Adrian Smith (guitarra), Dave Murray (guitarra), Janick Gers (guitarra) e Nicko McBrain (bateria).
Após uma introdução do vocalista, o filme começa ao som de "Aces High", do disco "Powerslave" (1984). O cenário: Mumbai, na Índia, em 1º de fevereiro de 2008, durante a "Somewhere Back in Time World Tour", levada pelos ingleses ao redor do mundo em 2008.
A segunda parte da turnê, inclusive, está passando pelo Brasil: hoje, a banda toca na Praça da Apoteose, no Rio; amanhã, é a vez do autódromo de Interlagos, em São Paulo.
"Fim das férias"
O concerto em Mumbai ilustra um pouco a paixão pela banda em países mais pobres, e os documentaristas viajam de trem para entrar no universo dos fanáticos pelo Iron Maiden na Índia. O palco estruturado com bambus e o cenário pitoresco dão uma boa alavancada no filme, que narra os 45 dias e as 21 cidades que a banda visita em lugares como Austrália, Ásia e Américas do Norte, Central e do Sul.
E o grande destaque fica justamente a passagem por Mumbai e pelas Américas. A partir do México, passando por Costa Rica, Colômbia, Brasil, Argentina, Chile e Porto Rico, é impressionante a reação dos fãs por conta da chegada do grupo, que sofre com o assédio incessante. Problemas e algumas confusões entre o público e a polícia colombiana também são reproduzidos, assim como os acampamentos feitos por alguns sedentos nas portas do show em Bogotá.
No Brasil, fica a lembrança por conta da passagem do sexteto --que na época ainda era um quinteto-- pelo primeiro Rock in Rio, em 1985, e pelos shows em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, no ano passado.
O próprio Iron Maiden admite a dificuldade em "descer" pela América, o que Bruce Dickinson classifica como "fim das férias": a partir daí, o grupo alega que precisa se superar para entregar aos fãs latinos tudo o que eles esperam e transmitem nos shows: energia e música pesada.
No final, a pré-estreia no Brasil se encaixa naturalmente com o os momentos mais marcantes do documentário.
Vocalista piloto
Além dos cenários visitados, o filme não deixa de registrar um dos aspectos mais esperados para quem gosta da banda: as cenas de bastidores. E as mais curiosas envolvem Bruce Dickinson, o vocalista piloto.
Além de cantar em cada show, Dickinson, piloto profissional, comanda o avião da banda, batizado de "Ed Force One" ---uma alusão ao mascote da banda, o Eddie, que aparece nas capas dos discos e é uma das marcas registradas do Iron Maiden. As cenas de Bruce com a roupa oficial de comandante e anunciando a chegada do voo 666 às torres de controle nos aeroportos são as pérolas do filme.
Momentos de bom humor e da banda se preparando, além da parte de produção dos shows, irão saciar os fãs que assistirem ao filme e talvez até se identifiquem na multidão --pelo menos nos locais por onde a turnê passou.
"Flight 666" não se propõe a fazer uma análise profunda sobre o Iron Maiden e não traz nenhuma opinião de críticos, e pouca de músicos (Lars Ulrich, do Metallica, é um deles), sobre a carreira da banda. A ideia de Dunn e McFadyen é apenas acompanhar o dia-a-dia de uma estafante e incansável turnê do Iron Maiden, em duas horas que deixarão felizes os fãs da banda e de rock em geral.


