"Celtic punk" renova o repertório do Dia de Saint Patrick
BRUNO LOFRETA
colaboração para a Folha Online
Comemorado em pubs em todo o mundo, o Dia de Saint Patrick é conhecido pelo som das músicas típicas irlandesas que embalam um público devidamente trajado em verde. Nos últimos anos, porém, a celebração tem ganhado um forte acento punk, ou "celtic punk", como o gênero é conhecido internacionalmente.
Em comum, bandas como Flogging Molly e Dropkick Murphys nutrem não apenas o apreço pelos acordes sujos de nomes como The Clash e Stiff Little Fingers, como a reverência a ícones do folk irlandês.
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| Flogging Molly, uma das bandas que renovam o repertório do Dia de Saint Patrick na Irlanda |
Assim, instrumentos tão peculiares como a gaita de foles e o bodhrán (espécie de tamborim feito de couro) se juntam a baixo, guitarra e bateria.
Coachella
Com cinco álbuns de estúdio na bagagem, o Flogging Molly foi responsável por levar a fusão de música típica irlandesa com o punk rock a um novo patamar, conferindo uma roupagem mais ligeira ao estilo consolidado nos anos 80 pelo The Pogues.
Em menos de uma década, a banda deixou o acanhado palco de um pub em Los Angeles para figurar nos principais festivais do planeta, como o Lollapalooza e o Coachella. "Float", o mais recente trabalho do grupo, lançado no ano passado, foi mais longe do qualquer outro disco do gênero, atingindo posição de destaque nas paradas e colhendo críticas favoráveis.
Liderado pelo carismático vocalista Dave King, único irlandês na formação, o Flogging Molly tem influências que vão além do celtic punk e cujos temas são tão variados quanto a Guerra do Iraque ou um simples pint de Guinness.
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| Representante do "celtic punk", o Dropkick Murphys une cancioneiro com punk e hardcore |
Reinventando o folk
Assim como o Flogging Molly, o Dropkick Murphys lança mão de ritmos distintos para lustrar o cancioneiro irlandês. Em seu repertório, a banda se apropria de composições arraigadas na cultura gaélica como "The Wild Rover" e "Finnegan's Wake" e as redefine injetando doses cavalares de punk e hardcore.
Outra característica patente na música do septeto surgido em 1996 é a forte identificação com a classe trabalhadora de Massachusetts, região que concentra um enorme contingente de imigrantes irlandeses nos EUA, personagens recorrentes nas letras do grupo.
Um apanhado dessas canções está no álbum "Live on St. Patrick's Day from Boston, MA", gravado durante os festejos de 2002.
Mas foi quatro anos mais tarde, com "I'm Shipping Up to Boston", trilha sonora do filme "Os Infiltrados", de Martin Scorsese, que o grupo despontou para um público mais amplo e suas músicas passaram a ser veiculadas em comerciais e séries de TV de todo o mundo, mostrando que todo dia é dia de São Patrício.
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