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Ilustrada
17/03/2009 - 07h11

Canções de protesto também embalam Saint Patrick

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BRUNO LOFRETA
colaboração para a Folha Online

Face obscura da música típica que costuma embalar a festa do Dia de Saint Patrick, as canções de protesto irlandesas, também conhecidas como Irish Rebel Songs, surgiram em meados do século 19 --quando o movimento feniano, que pregava o fim do jugo britânico sobre a ilha, tomou corpo.

Com gritos emprestados do hoje inativo Exército Republicano Irlandês (IRA) essas canções têm um alvo em comum: a submissão do norte do território da Irlanda à coroa britânica. Embora datadas, muitas dessas músicas permanecem vivas na memória do país, a exemplo das folclóricas "A Nation Once Again" e "Johnny I Hardly Knew Ye".

AP
Paul McCartney (em cima, à direita) e sua mulher Linda posam para fotos ao lado de membros do grupo "Wings"
Paul McCartney, ao lado do Wings, que lançou "Give Ireland Back to the Irish"

Do pop à militância

Em 1972, após 27 manifestantes serem mortos por tropas britânicas durante uma passeata em Derry, na Irlanda do Norte, Paul McCartney compôs "Give Ireland Back to the Irish" (devolva a Irlanda aos irlandeses), lançada por sua antiga banda, o Wings. O mesmo evento serviu de inspiração para o U2 dar vida a um de seus maiores hinos, "Sunday Bloody Sunday".

Embora alguns nomes de peso do pop rock tenham se envolvido esporadicamente com a causa republicana, os verdadeiros responsáveis pelo fortalecimento e divulgação da música de protesto irlandesa são grupos locais como The Wolfe Tones, Eire Óg e The Irish Brigade.

O recrudescimento do conflito entre os rebeldes irlandeses e as tropas britânicas nos anos 70 ajudou a alimentar o gênero. Seja homenageando militantes mortos durante uma greve de fome ("Ten Brave Men"), exigindo a desocupação completa da ilha ("Go on Home British Soldiers") ou exaltando a precisão de lança-foguetes ("The SAM Missiles"), as canções do escocês Gary Óg, ex-líder do banda Eire Óg, inflamam a platéia de seus shows apelando ao tradicional brado do IRA, "Tiocfaidh ár lá", ou "nosso dia chegará", em tradução literal do gaélico.

Entretanto, se a renúncia às armas anunciada pelo Exército Republicano Irlandês em 2005 parecia ter arrefecido os ânimos na ilha, o recente atentado que vitimou dois soldados britânicos e feriu quatro pessoas ao norte de Belfast, no último dia 7, e cuja autoria foi assumida por uma dissidência do IRA, deve reacender as discussões de paz na região e fornecer combustível aos entusiastas das Irish Rebel Songs.

 

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