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17/03/2009 - 19h45

Estilo pessoal fez Clodovil ganhar e perder dinheiro, amigos e programas

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RICARDO FELTRIN
Secretário de Redação da Folha Online

É difícil falar de alguém que partiu, ainda mais quando não há só palavras dóceis para o morto. É o caso de Clodovil Hernandes, 71, que morreu nesta terça-feira em Brasília, após parada cardíaca, e um dia após sofrer um AVC. O fato de ser criança adotada e saber disso desde sempre acabou sendo determinante em sua formação. Ele dizia que, para aplacar a tristeza, queria ser o melhor em tudo. Solitário, mergulhou em desenhos e livros. Adorava biografias.

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Aprendeu cedo a arte da costura. Aparentemente foi autodidata na tesoura. Gabava-se de aprender um corte ou arremate alheio com uma só olhada, e ainda criava algo em cima. Foi essa criatividade o motivo para seu sucesso na alta costura. Mas o mundo da sociedade também o entediou, e o irritou ao ponto de se afastar totalmente. Nos últimos anos, fez uns poucos e caríssimos vestidos de noiva para as filhas de algumas socialites.

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Clodovil na época em que voltou ao teatro com o espetáculo "Eu e Ela", de sua autoria
Clodovil na época em que voltou ao teatro com o espetáculo "Eu e Ela", de sua autoria

Assim como o protagonista do Oscar de Melhor Filme 2009, "Quem Quer Ser um Milionário?", sua história sofrida foi levada à TV enquanto ele vencia o game show "8 ou 800", da Globo, em meados da década de 70. O Brasil parou para vê-lo, num domingo, levar o prêmio máximo ao responder corretamente tudo sobre a vida da lendária Dona Beija.

Daí em diante foi só estrelato e polêmica. Virou um dos picos de ibope do "TV Mulher", novidade do início dos anos 80, programa da Globo que mudou as manhãs da TV brasileira. Como celebridade, ficou deslumbrado e se tornou um ciclotímico que podia ser desagradável, simpático, agressivo, doce, carente, estúpido ou gentil durante uma conversa de apenas 15 minutos.

Como resultado do tipo intempestivo, aos poucos fechou porta por porta na TV brasileira. Band, Manchete, Globo, Record, até a Gazeta. Não teve local profissional em que não tenha arrumado encrenca e deixado mais inimigos do que amigos.

Na Globo, por anos recebeu apoio incondicional do amigo Fausto Silva. Aliás, esse era amigo mesmo. Como o próprio Clodovil revelou, durante sua pior fase financeira, Fausto Silva lhe enviou R$ 40 mil em dinheiro vivo, com as notas presas a um enorme grampo de ouro. Junto, um bilhetinho escrito à mão, com palavras de força e amizade. Dizem que foi uma das poucas vezes em que o viram baixar a cabeça e soluçar. O mais comum, mesmo no revés, era erguer o nariz e praguejar.

Acabou fechando a porta também na Globo, e nem Faustão escapou de sua língua ferina. Com Clodovil, o melhor amigo de hoje podia ser só o banana no mês que vem. Tudo dependia de seu humor oscilante.

Seu programa na Band, em 98, dava razoável ibope, e tinha um seleto público AB feminino. Perdeu a atração porque ofendeu uma das patrocinadoras, Adriane Galisteu, que anunciava uma sopa para emagrecer:

"Essa emagrece mesmo, é como sopa de piranha: te come por dentro", disse venenoso. Provocou um escândalo. A Band perdeu uma anunciante e Clodovil, o emprego. Acabou em briga trabalhista e civil com a emissora. Venceu uma ação de indenização, pelo menos. A Band recorreu.

Mais tarde também perderia outro programa na Rede TV! Entre um quadro e outro, começou a criticar pesadamente a antiga emissora (Band), com quem estava em litígio. Recebeu advertência da nova casa, mas repetiu a falta dias depois. O programa era lucrativo e de baixo custo, a Rede TV! não queria tirar da grade. Então passou a exibir o programa gravado. Dizem que depois disso Clodovil ficou ainda mais incontrolável, porque sabia que podia achincalhar a tudo na gravação, pois haveria corte depois. A emissora jogou a toalha.

Na vida privada, gostava de bichos, mas tinha dificuldades com humanos. Não tinha de fato nenhum amigo de longa data. No caso de jornalistas, parecia hesitar entre o amor e a cólera, dando palavras ternas ou paulada. Quando lia alguma nota que não gostava, ligava imediatamente para o autor da notícia. Chutava diretamente a canela. No entanto, muitas vezes, depois de duas ou três frases raivosas, se acalmava novamente e, como mágica, se tornava dócil. Até a próxima combustão. Clodovil foi uma vida de extremos.

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Comentários dos leitores
jose valias (263) 25/03/2009 10h08
jose valias (263) 25/03/2009 10h08
Grande Clodovil, se foi e nós ficamos com o Congresso Nacional. O que o Senado deveria fazer depois destes escandalos seria proclamar sua auto extinção, asim ele estaria pela primeira vez fazendo algo honesto 10 opiniões
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Carlos Franco Franco (646) 25/03/2009 08h08
Carlos Franco Franco (646) 25/03/2009 08h08
Não somente este projeto de lei, que o saudoso Clodovil,mas os outros, que são de interesse geral, não esquecer o da redução do numeros de deputados, esse seria otimo, mas eles, não vão nem sequer, colocar em pauta de votação, não é interesse deles. 6 opiniões
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Manoel Souza (39) 24/03/2009 21h10
Manoel Souza (39) 24/03/2009 21h10
É ótima a idéia de se fazer uma homenagem ao ex-dep. Clodovil aprovando um dos projetos de lei. Poderia esse mal cheiroso poder aproveitar e, colocar em votação e aprovar um projeto de lei do mesmo ex-deputado diminuindo a quantidade dos excelentissimos "NADA FAZEM", para"AINDA GRANDIOSO NUMERO", DUZENTOS E CINQUENTA(250). Com certeza contribuinte que paga esses "GORDOS SALÁRIOS" , agradeceriam. Mas como é de praxe entre os nobres deputados o que não é de interesse próprio vai para a gaveta. aja escrivaninha. 9 opiniões
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