10/10/2005
-
09h50
da Folha de S.Paulo
Renée Gumiel completa 92 anos daqui a dez dias. Seu corpo e sua visão da arte compõem uma espécie de RG da dança paulista em quase meio século. Ela dança a idade da sabedoria, emana energia de gestos mínimos e não arreda pé do chão das convicções transformadoras que a trouxeram até aqui.
"Não tenho saudades do passado, vivo o presente e o futuro, mas minha vida está escrita na minha pele", diz Gumiel, num de seus depoimentos de essência filosófica, assim simples e diretos, no português trançado com o francês, língua natal.
O documentário "Renée Gumiel - A Vida na Pele", de Sérgio Roizenblit e Inês Bogéa, crítica de dança da Folha, pontua momentos de sua trajetória desde a chegada ao Brasil, em 1957, até os dias atuais, quando contracena com os atores do grupo Oficina Uzyna Uzona na série de espetáculos "Os Sertões", dirigida por José Celso Martinez Corrêa.
"A Vida na Pele" tem lançamento hoje em São Paulo, no Cinesesc, em sessão gratuita.
O roteiro de Bogéa e Marilia Alvarez descola da biografia propriamente dita (afinal, vida e obra não se dissociam) e avança para os trabalhos artísticos e pedagógicos de Gumiel e o modo como contaminou, principalmente, os movimentos de modernização da dança paulista nos ano 1970, o que não impediu de ser pichada pela ala conservadora das sapatilhas de ponta por causa do seu olhar transgressor.
Tem-se uma curva histórica da formação de conjuntos fundamentais, como o Balé Stagium (1971), o Balé da Cidade de São Paulo (1974) e o núcleo do Teatro de Dança Galpão (1974-81).
São abordados contextos político e sociais, como a resistência à ditadura e o titubeio das políticas públicas para o setor.
Coreógrafos, diretores e intérpretes comentam como foram influenciados pela dança de Gumiel, que chegou a ter três escolas, a principal delas na rua Augusta, entre 1961 e 1988.
Há participações de Célia Gouvea, Marika Gidali, Ismael Ivo, Marilena Ansaldi, Iracity Cardoso, Suzana Yamauchi, J.C. Violla, Paty Brown, Márcio Aurélio, Lígia Cortez, Zé Celso, entre outros.
São exibidas imagens da juventude de Gumiel na França, bem como dos seus primeiros passos em São Paulo. O documentário recorre a improvisações que a artista fez no teatro de Arena, no Oficina e na escola Célia Helena, dando conta de sua vitalidade.
O tratamento de um câncer levou Gumiel a interromper a carreira durante um período, após o espetáculo "Uma Lágrima de Mim Para Ti" (1986). Sete anos depois, ela ensaiou a despedida do palco em "A Memória Gruda na Pele".
Em certa passagem, Gumiel surge montada nas costas do ator Aury Porto, do Oficina. Ele ressalta a energia dela, a forma como dança com o tempo, tal qual uma deusa. E Nietzsche disse que só acreditaria num deus que dançasse, lembra Zé Celso.
"Deixem de pensar; deixem falar o corpo", diz Gumiel, em sua música interior.
"A Vida na Pele" foi realizado através do programa DocTV-SP (TV Cultura, STV-Rede SescSenac de Televisão e Secretaria de Estado da Cultura). Roizenblit e Bogéa também são autores do vídeo "Movimento Expressivo - Klauss Vianna" (2005).
Renée Gumiel - A Vida na Pele (lançamento)
Quando: hoje, às 20h30
Onde: Cinesesc (r. Augusta, 2.075, tel. 0/xx/11 3082-0213)
Quanto: entrada franca
Especial
Leia o que já foi publicado sobre Renée Gumiel
Documentário capta a força de Renée Gumiel
Publicidade
VALMIR SANTOSda Folha de S.Paulo
Renée Gumiel completa 92 anos daqui a dez dias. Seu corpo e sua visão da arte compõem uma espécie de RG da dança paulista em quase meio século. Ela dança a idade da sabedoria, emana energia de gestos mínimos e não arreda pé do chão das convicções transformadoras que a trouxeram até aqui.
"Não tenho saudades do passado, vivo o presente e o futuro, mas minha vida está escrita na minha pele", diz Gumiel, num de seus depoimentos de essência filosófica, assim simples e diretos, no português trançado com o francês, língua natal.
O documentário "Renée Gumiel - A Vida na Pele", de Sérgio Roizenblit e Inês Bogéa, crítica de dança da Folha, pontua momentos de sua trajetória desde a chegada ao Brasil, em 1957, até os dias atuais, quando contracena com os atores do grupo Oficina Uzyna Uzona na série de espetáculos "Os Sertões", dirigida por José Celso Martinez Corrêa.
"A Vida na Pele" tem lançamento hoje em São Paulo, no Cinesesc, em sessão gratuita.
O roteiro de Bogéa e Marilia Alvarez descola da biografia propriamente dita (afinal, vida e obra não se dissociam) e avança para os trabalhos artísticos e pedagógicos de Gumiel e o modo como contaminou, principalmente, os movimentos de modernização da dança paulista nos ano 1970, o que não impediu de ser pichada pela ala conservadora das sapatilhas de ponta por causa do seu olhar transgressor.
Tem-se uma curva histórica da formação de conjuntos fundamentais, como o Balé Stagium (1971), o Balé da Cidade de São Paulo (1974) e o núcleo do Teatro de Dança Galpão (1974-81).
São abordados contextos político e sociais, como a resistência à ditadura e o titubeio das políticas públicas para o setor.
Coreógrafos, diretores e intérpretes comentam como foram influenciados pela dança de Gumiel, que chegou a ter três escolas, a principal delas na rua Augusta, entre 1961 e 1988.
Há participações de Célia Gouvea, Marika Gidali, Ismael Ivo, Marilena Ansaldi, Iracity Cardoso, Suzana Yamauchi, J.C. Violla, Paty Brown, Márcio Aurélio, Lígia Cortez, Zé Celso, entre outros.
São exibidas imagens da juventude de Gumiel na França, bem como dos seus primeiros passos em São Paulo. O documentário recorre a improvisações que a artista fez no teatro de Arena, no Oficina e na escola Célia Helena, dando conta de sua vitalidade.
O tratamento de um câncer levou Gumiel a interromper a carreira durante um período, após o espetáculo "Uma Lágrima de Mim Para Ti" (1986). Sete anos depois, ela ensaiou a despedida do palco em "A Memória Gruda na Pele".
Em certa passagem, Gumiel surge montada nas costas do ator Aury Porto, do Oficina. Ele ressalta a energia dela, a forma como dança com o tempo, tal qual uma deusa. E Nietzsche disse que só acreditaria num deus que dançasse, lembra Zé Celso.
"Deixem de pensar; deixem falar o corpo", diz Gumiel, em sua música interior.
"A Vida na Pele" foi realizado através do programa DocTV-SP (TV Cultura, STV-Rede SescSenac de Televisão e Secretaria de Estado da Cultura). Roizenblit e Bogéa também são autores do vídeo "Movimento Expressivo - Klauss Vianna" (2005).
Renée Gumiel - A Vida na Pele (lançamento)
Quando: hoje, às 20h30
Onde: Cinesesc (r. Augusta, 2.075, tel. 0/xx/11 3082-0213)
Quanto: entrada franca
Especial

