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Ilustrada
17/10/2005 - 12h04

Cortes islâmicas destroem maior estúdio de cinema da Somália

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da Efe, em Mogadíscio

As cortes islâmicas da Somália destruíram as instalações do maior estúdio cinematográfico do país, no golpe final da ofensiva fundamentalista iniciada este mês contra o cinema, disseram testemunhas a jornalistas.

Os milicianos da corte de Al-Furqan na capital somali, Mogadíscio, apreenderam ontem todo o material técnico que puderam levar, como equipamentos de filmagem e de edição, além de veículos. Depois, destruíram o resto, informaram as fontes.

A freqüência ao cinema foi proibida, no último dia 3, durante o mês sagrado do Ramadã. As cortes islâmicas, apoiadas por alguns clãs armados que mantêm a Somália imersa no caos, consideraram que os filmes divulgam apenas "mensagens sobre as drogas e a violência e levam à perdição".

Proprietário do estúdio Al Faghi, na localidade de Hamar Weyne, Abdul Hakeem Haji Shiqey explicou, em entrevista coletiva, que os assaltantes torturaram sua mãe, sua esposa e suas irmãs e tomaram seu pai como refém, a quem libertaram mais tarde.

"No ataque, os milicianos saquearam nossas propriedades, destruíram o estúdio e roubaram US$ 1.000 de minha mãe", contou Shiqey, que acrescentou que os milicianos também levaram todas as jóias de sua mulher.

Shiqey lamentou especialmente a destruição total dos arquivos cinematográficos, com mais de 7 mil películas, vídeos e DVDs, assim como material digital em disquetes.

De acordo com o proprietário do estúdio, os milicianos não deram justificativa para o ataque, mas não é a primeira vez que sua família, como outros membros da comunidade minoritária Benadir, são agredidos pelas forças da corte islâmica Al-Furqan.

"Somos atacados e roubados sistematicamente pelas milícias, que também seqüestram nossos familiares e só os libertam mediante pagamento de resgate", acusou Shiqey.

Apesar da proibição das cortes islâmicas de assistir a filmes no Ramadã, muitas das mais de 800 salas de cinema de Mogadíscio continuaram funcionando no mês sagrado dos muçulmanos, sobretudo as pertencentes a poderosos clãs tribais com milícias fortemente armadas, que colocaram guardas na proteção dos edifícios.

O estúdio Al Faghi produzia filmes e vídeos de shows que distribuía no circuito cinematográfico somali. Também fazia dublagens de filmes americanos e hindus para a linguagem local. O proprietário afirma que a empresa não estava trabalhando durante o Ramadã.

Crise

A Somália está em crise desde janeiro de 1991, quando os líderes dos clãs somalis, conhecidos como "senhores da guerra", derrubaram o ditador Mohammed Siad Barre, atualmente no exílio. O dividido território somali passou a ser controlado então com a ajuda de milícias armadas que impõem "a lei do mais forte".

No ano passado, foi constituído um Governo Federal de Transição, reconhecido internacionalmente, que em junho se transferiu do Quênia para o país para tentar restabelecer a ordem.

No entanto, a Administração provisória funciona na cidade de Jawhar, a 85 quilômetros de Mogadíscio, já que na capital não se pode garantir a segurança pessoal de alguns de seus líderes, incluindo o presidente e seu primeiro-ministro.

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