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07/04/2009 - 08h53

Documentário conta trajetória do pai do "big brother" da rede

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BRUNA BITTENCOURT
Colaboração para a Folha

"O maior pioneiro da internet do qual você nunca ouviu falar." É assim que o documentário "We Live in Public", vencedor do grande prêmio do júri no Festival Sundance deste ano, apresenta o empresário Josh Harris, já chamado de "Warhol da web" ou "playboy extraordinário do pontocom", por sua excêntrica trajetória.

Harris fez milhões de dólares durante a bolha da internet e não hesitou em gastar sua fortuna e sua sanidade para tentar provar, quase dez anos atrás, como a internet nos faria abdicar de nossa privacidade e anonimato por reconhecimento.

Para isso, promoveu, no fim de 1999, um dos primeiros e mais ambiciosos "big brothers" virtuais, reunindo em um bunker em Nova York cem artistas que para ali se mudaram, cercados por dezenas de câmeras.

"Quando meus amigos começaram a postar suas vidas no Facebook, atualizando os aspectos mundanos do seu dia a dia em 2006, tudo o que eu havia filmado em 1999 se encaixou e percebi que a história deveria ser contada", disse à Folha Ondi Timoner, diretora do documentário e contratada na época para filmar o "experimento" de Harris, batizado de Quiet: We Live in Public (silêncio: nós vivemos em público).

Anos antes de promover seu "O Show de Truman", Harris criou uma das primeiras TVs feitas e transmitidas pela internet, a Pseudo.com. O plano de Harris era transformar seu experimento em um filme, um programa diário e um webcast. "Andy Warhol estava errado", disse Harris na época. "As pessoas não querem 15 minutos de fama na vida. Elas querem isso toda noite. A audiência quer ser o show", profetizou.

No bunker, cem artistas iam ao banheiro, tomavam banho, faziam sexo, dividiam um chuveiro na frente das câmeras, com o gozo e o prejuízo que esse tipo de experiência coletiva implica. "Um amigo meu contou sobre essa festa que esse milionário estava fazendo toda noite até a virada do milênio", disse uma das participantes à imprensa na época. "Ele disse que haveria comida gratuita e um lugar para ficar."

Em 1º de janeiro de 2000, depois de 30 dias, o bunker foi invadido pela polícia, que o viu uma espécie de culto.

Harris não desistiu. Ainda no ano de 2000, convenceu sua namorada a transmitir a vida dos dois pela web durante cem dias. Antes disso, ela deixaria o apartamento do casal. Harris, sem dinheiro e perto de uma colapso nervoso, refugiou-se em uma fazenda nos EUA.

"Acredito que ele se considera um artista acima de tudo. Ele é seu assunto preferido a ser estudado, é um cordeiro a ser sacrificado para seu trabalho, que é a arte da internet", diz Timoner, que acompanhou Harris por mais de dez anos.

"Nós todos seremos inevitavelmente expostos. Ele só fez isso para mostrar para onde estávamos indo."

 

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