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Ilustrada
07/04/2009 - 09h44

Visibilidade maior do design brasileiro é trunfo de mostra do MAM

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MARIO GIOIA
da Folha de S.Paulo

A boa fase do design feito no Brasil pode ser comprovada na mostra "Design Brasileiro Hoje: Fronteiras", com curadoria de Adélia Borges, que exibe a partir de hoje no MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo) a produção de 95 nomes da área.

Em um espaço nobre --o MAM é um dos principais museus brasileiros--, são expostas diversas facetas do design nacional: da cotidiana sapatilha Melissa dos megabadalados irmãos Campana (que ganharão mostra no Museu de Design da Vitra, um dos mais importantes da área, em maio) ao veterano Sergio Rodrigues, 81, que apresenta a poltrona "Diz", considerada por Borges "uma verdadeira obra-prima".

Divulgação
Poltrona "Diz", de Sérgio Rodrigues, criador da famosa poltrona "Mole"
Poltrona "Diz", de Sérgio Rodrigues, criador da famosa poltrona "Mole"

E a mostra não deixa de fazer suas apostas em nomes emergentes, reunindo trabalhos de profissionais com idade média de 30 anos, como o mineiro Eduardo Recife, que tem exibidos pôsteres de tipografia, e o estúdio paulistano Lobo, que terá projetadas em TVs as aberturas das minisséries "A Pedra do Reino" e "Capitu", de Luiz Fernando Carvalho.

"Quando comecei a trabalhar, nos anos 80, o Brasil era visto como país periférico, ninguém dava a mínima", diz Borges, 57. "Hoje, a geopolítica cultural do mundo mudou. Há um interesse enorme por nossa produção", completa ela, que deve levar a mostra para museus na Europa e nos EUA.

Onda verde mundial

As razões pelas quais o design brasileiro está em alta no exterior podem ser reconhecidas facilmente na mostra no MAM-SP.

"Antes de conceitos como sustentabilidade e uso ecológico dos materiais estarem na moda em âmbito internacional, os designers brasileiros já tinham isso como fundamento de suas criações", avalia a curadora, Adélia Borges.

Isso é muito claro, por exemplo, nos convites impressos em folhas secas, de autoria do carioca Fred Gelli, que foram apresentados no 55º Festival de Publicidade de Cannes, no ano passado. As inscrições nas folhas foram feitas por corte a laser, sem o uso de tintas.

O mesmo tipo de preocupação também pode ser percebido no livro-catálogo "Frans Krajcberg: Natura", sobre exposição do artista ocorrida em 2008 na Oca, em São Paulo.

Divulgação
Sapatilha feita para a Melissa pelos irmãos Campana, de São Paulo
Sapatilha feita para a Melissa pelos irmãos Campana, de São Paulo

Design que vira arte

Assinado pelo escritório carioca Tecnopop, o projeto gráfico da publicação inclui uma capa que imita um tronco queimado de árvore. Feito de laminado de imbuia (que tem certificado de manejo sustentável), o invólucro não utiliza tintas para a impressão de letras em sua superfície. "Colocado de pé, o catálogo vira um objeto que está na fronteira da arte e do design", diz Borges.

Tais limites entre o design e outros tipos de artes e atividades são borrados a todo tempo pelos profissionais, destaca a curadora. Assim, os projetos gráficos de Elaine Ramos para a coleção Moda Brasileira, da editora Cosac Naify, dialogam com processos da moda na concepção dos livros.

"A designer embaralha as noções de avesso e de direito. A lombada é exposta e mostra a colagem das partes internas da edição, as capas ganham tecido e dobraduras", enumera Borges. A mostra também exibe o livro "Pós-Tudo - 50 Anos de Cultura na Ilustrada" (Publifolha), com projeto gráfico de Eliane Stephan.

Para a surpresa de alguns, uma prosaica vassoura Noviça estará no centro da mostra. O produto agora tem mais variedade de cores e utiliza plástico reprocessado. "Não deixa de ser provocativo valorizar um objeto tão banal no centro de um museu", diz Borges.

DESIGN BRASILEIRO HOJE: FRONTEIRAS
Quando: abertura hoje, às 20h (convidados); de ter. a dom., das 10h às 18h; até 28/6
Onde: MAM-SP (pq. Ibirapuera, portão 3, 0/xx/ 11/ 5085-1300); livre
Quanto: R$ 5,50; grátis (dom.)

 

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