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28/04/2009 - 08h25

Evento em SP celebra reedições de Lygia Fagundes Telles

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RAQUEL COZER
da Folha de S.Paulo

Lygia Fagundes Telles, 86, lembra que chorou, em 1973, ao terminar de escrever "As Meninas", tão apegada estava às três personagens centrais. Superada a melancolia da despedida, não voltou a ler o romance.

Trinta e cinco anos depois, a escritora paulistana reencontrou suas crias Ana Clara, Lia e Lorena e descobriu entre elas algo que não estava lá antes. "O que revisores pintaram e bordaram no meu texto [ao longo dos anos]! Não é que eu lembre, mas eram vírgulas que eu não poderia ter colocado", diz.

Miguel Arcanjo Prado/Folha Online
Escritora Lygia Fagundes Telles ganha reedições de obras, como "As Meninas"
Escritora Lygia Fagundes Telles ganha reedições de obras, como "As Meninas"

O que a levou a se debruçar sobre a obra foi uma mudança que, como ela gosta de dizer, tem algo de casamento novo. Depois de sete anos na editora Rocco, Lygia mudou-se, com "As Meninas" e mais 11 títulos, para a Companhia das Letras.

"Eu estava fazia muito tempo lá [na Rocco], acho que estavam enjoados de mim", diz, em tom de brincadeira. "De vez em quando, é bom para o escritor mudar, e para o editor. É como num casamento, você vai levando, está tudo bem, vai tomar cerveja com o marido e, de repente, encontra outro."

A nova união, que já levou de volta às livrarias "As Meninas" e os livros de contos "Antes do Baile Verde" (1970) e "Invenção e Memória" (2000), será oficializada hoje, no primeiro de três eventos no Sesc Vila Mariana. O lançamento incluirá leitura de textos de Lygia e um debate com o conselho editorial da reedição --o historiador Alberto da Costa e Silva, o professor de literatura Antonio Dimas e a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz.

Além de novas capas, com desenhos de Beatriz Milhazes, e da rigorosa revisão, as novas edições incluem fortuna crítica --reunida pela própria escritora, com textos de Carlos Drummond de Andrade e José Paulo Paes, entre outros-- e posfácios de autores como Cristovão Tezza e Ana Maria Machado.

Respiro

"Estou velha, mas não tem importância. Dar uma respirada assim faz um bem enorme", diz a escritora, discretamente maquiada, em seu apartamento nos Jardins, em São Paulo.

Cercada de memórias --seja nas histórias que conta sobre cada um de seus textos, seja nos detalhes de sua sala, como a velha máquina de escrever e os quadros com ilustrações do filho Goffredo Telles Neto (1952-2006)--, Lygia aproveita o respiro para pensar em escrever novamente. Um "breve romance", diz --será o primeiro desde "As Horas Nuas" (1989); de lá para cá, lançou apenas contos. Mas isso vai demorar um pouco. "Agora, com o lançamento, é cansativo. Deixa primeiro eu sossegar o peito, ou o pito, como me diziam na infância", diz.

 

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