Músicos vão reproduzir discos "clássicos" no Teatro Municipal
MARCUS PRETO
Colaboração para Folha
Repetindo uma fórmula que funcionou tão bem em edições anteriores da Virada Cultural, a programação do Teatro Municipal segue esquema parecido ao do palco dedicado a Raul Seixas. Cada artista toca ao vivo o conteúdo de um álbum inteiro, respeitando a ordem das faixas.
O mais antigo da seleção é "Tom Zé", de 1968 (também conhecido como "Grande Liquidação"). É o primeiríssimo álbum lançado pelo artista baiano e contém os clássicos tropicalistas "São São Paulo", "Namorinho de Portão" e "Parque Industrial".
O mais novo, de 1995, é "Aos Vivos", que marcou a estreia fonográfica de Chico César. O álbum traz as primeiras versões para "Mama África", "À Primeira Vista" e "Mulher Eu Sei" e rendeu a seu autor projeção nacional instantânea. Como "Aos Vivos" foi gravado originalmente no formato voz e violão, vai soar bastante fiel agora, 14 anos depois.
Entre um e outro, cronologicamente, estão os bem menos conhecidos "Cama de Gato" (1986) e "Violeta de Outono" (1987), discos de estreia das bandas homônimas. Liderado pelo baixista carioca Arthur Maia, o Cama de Gato é um dos grupos instrumentais que mais se destacaram nos anos 80. Já os paulistanos do Violeta de Outono se mantêm na ativa até hoje carregando a bandeira do rock progressivo.
Ecletismo
Fafá de Belém comprova o ecletismo da escalação, refazendo "Água" (1977), álbum que marca seu auge como cantora. Além do hit "Foi Assim", traz canções de Caetano Veloso (a desconhecida "Casinha Pequenina", parceira bissexta com Roberto Menescal), Milton Nascimento ("Raça" e "Sedução") e Catulo da Paixão Cearense ("Ontem ao Luar").
A programação peca em dois pontos. Tanto "Alma" (1986), de Egberto Gismonti, quanto "Alma de Borracha" (1986), de Beto Guedes, estão longe de ser os álbuns mais representativos da carreira de seus autores.
Mas essa derrapada é facilmente compensada pelo capricho com que outros dois discos serão apresentados no palco. Marco inicial da vanguarda paulistana arquitetado por Arrigo Barnabé, "Clara Crocodilo" (1980) será relembrado com o acompanhamento de quase todos os músicos da banda Sabor de Veneno, a mesma que gravou o LP original. Estão prometidos inclusive os vocais de Vania Bastos, Suzana Salles e Tetê Espíndola.
Já "Francis Hime" (1973), LP de estreia do compositor carioca, ganha adesão da Orquestra Experimental de Repertório, regida pelo maestro Jamil Maluf. Tratamento que clássicos absolutos como "Atrás da Porta" (Francis Hime/Chico Buarque) e "Sem Mais Adeus" (Francis/Vinicius de Moraes) bem merecem.
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