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"Entenda as entendidas" retrata lésbicas
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"GLS: entenda as entendidas" (155 páginas), recém-lançado pela editora Gryphus, tenta retratar o universo feminino homossexual. O livro descreve a vida de dez entrevistadas, traz textos de especialistas (uma educadora, sexóloga, advogada e psiquiatra) e dados de uma pesquisa feita em Vitória (ES).
| Reprodução |
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| Livro "GLS: Entenda as entendidas" retrata mundo lésbico |
Entre os resultados da pesquisa com 400 pessoas, o livro cita que a maioria (51%) votaria em uma mulher homossexual para presidente da República. É um percentual maior do que o obtido pela opção de voto em um candidato homossexual (49%).
Com base nos depoimentos das dez lésbicas entrevistadas, o autor sustenta que a atração delas por mulheres surgiu bem cedo, embora no primeiro momento não tenha se tornado oportuna e viável. "Todas tiveram sexo a primeira, a segunda ou mais vezes com homens, ou seja, elas tentaram, tentaram."
O livro cita ainda que a homossexualidade feminina tem menos visibilidade na sociedade do que a masculina. "As mulheres se calam e sofrem a sua própria discriminação ao lidarem com a sua sexualidade. Não ousam revelar com receio de rejeição."
O autor entrevistou uma cantora de 34 anos, apenas identificada como Vênus. No depoimento, ela diz: "Os relacionamentos entre mulheres terminam pelos mesmos motivos que os dos homens com mulheres: caem na rotina, que você não consegue retomar mais."
Já uma empregada doméstica de 37 anos, identificada como Madame Amaral, conta que "gostava muito de homem", mas acabou se separando ("Ele me batia e bebia muito").
Há oito anos, ela vive com uma companheira: "Quem entra nessa vida é porque tem um motivo, e o motivo às vezes não é bonito. O meu foi muito lindo, porque foi o amor. Eu precisava de muito carinho. Coisas que eu nunca senti com um homem eu sinto com ela, inclusive sexualmente."
O livro também aborda o preconceito ainda existente contra as lésbicas, que se manifesta também na linguagem por meio de termos pejorativos, como "sapata, sapatilha, sapatão, sapatona, mulher-macho, caminhoneira, bolacha, saboeira, roçadeira".
O texto cita que a "falta de perspectiva de uma família, com um homem, marido ou companheiro, com filhos que perpetuam a espécie, é uma das maiores discriminações contra a mulher homossexual".
A família é umas das barreiras na vida das lésbicas. "Quando meu pai ficou sabendo da minha opção, deu um piti. Rasgou meus talões de cheques, quebrou o cartão de crédito. Foi quando meu irmão me procurou em um bar freqüentado por pessoas do babado, para dizer que ele me ajudaria, me bancaria", diz uma publicitária de 27 anos, identificada no livro como Teodora.
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